Por Fernanda Sabino
O senador Styvenson Valentim (Podemos) sugeriu que outros parlamentares fracionam emendas para receber propinas de 10% a 15% dos recursos destinados. A declaração foi dada durante sabatina da Inter TV Cabugi, na manhã desta quarta-feira (16), quando o candidato à reeleição defendia a forma como direciona suas emendas e criticava a atuação de colegas. O senador não apresentou provas nem identificou os parlamentares aos quais se referia.
Styvenson afirmou que prefere concentrar recursos em ações específicas, em vez de pulverizar os valores entre diferentes destinações. Ao ser questionado sobre porque outros parlamentares do estado não adotariam a mesma estratégia, respondeu: “Ah, porque eles preferem fazer outros usos da emenda. Eles preferem dividir as emendas todinho, partir as emendas, pedir 10%, 15% e ninguém vê nada”, disse.
A afirmação associa diretamente a divisão das emendas à cobrança de propina. Durante a sabatina, porém, Styvenson não citou casos concretos ou documentos que sustentassem a acusação contra os parlamentares do Rio Grande do Norte.
Atualmente, a bancada potiguar no Senado também é composta por Rogério Marinho (PL) e Zenaide Maia (PSD). Na Câmara dos Deputados, integram a representação do estado Carla Dickson (PL), General Girão (PL), Sargento Gonçalves (PL), Robinson Faria (PP), João Maia (PP), Benes Leocádio (União Brasil), Fernando Mineiro (PT) e Natália Bonavides (PT).
Esta não é a primeira vez que o senador critica colegas da bancada potiguar em relação à destinação de recursos para ações no Estado.
Em vídeo publicado recentemente nas redes sociais, Styvenson desafiou os colegas do Rio Grande do Norte a apresentarem um volume de obras e ações semelhante ao que atribui ao próprio mandato. “Mostra aí quem é o político do Estado do Rio Grande do Norte que tem obras como essa, mostra. Vamos, aparece. Se você me mostrar quem é o político, eu me calo agora”, desafiou.
Styvenson despreza bolsonarismo de Coronel Hélio: “Cara, exclui isso aí”

A aliança de Styvenson Valentim (Podemos) com Coronel Hélio (PL), candidato à segunda vaga ao Senado na mesma coligação, também ganhou espaço durante a sabatina. Ao defender o aliado, Styvenson minimizou o peso de sua identificação com o bolsonarismo e pediu que o eleitor considere sua possível atuação no Senado.
“O Coronel Hélio é o Styvenson de 2018. Não tem histórico político”, comparou. Em seguida, acrescentou: “É um cara de um bom coração. Quem conhecer ele, vota certeza”.
Ao mencionar a vinculação política de Hélio, Styvenson foi direto: “Ah, mas ele é bolsonarista.
Cara, exclui isso aí. Pensa o que o cara pode fazer pelo Estado. Pensa o que o cara pode fazer com as emendas parlamentares”.
Em entrevista ao Diário do RN, Coronel Hélio tratou a identificação de forma diferente e afirmou não considerar o termo uma ofensa política ou ideológica. “De jeito nenhum. Até porque Bolsonaro é um conceito. Bolsonaro representa uma ideia, valores, costumes e princípios que são inegociáveis. Então, para mim, é até uma honra ser chamado bolsonarista”, afirmou.
Hélio também interpretou a fala de Styvenson pelo aspecto da atuação no Senado e disse que a eleição dos dois poderia ampliar o trabalho. “O Coronel Hélio tem um lado bem definido, sendo da direita, realmente bolsonarista, da direita potiguar, poderá, junto com ele, somar forças. Se tem um senador fazendo muito, dois podem fazer muito mais”, declarou.
Styvenson afirma que em campanha vale tudo, até chamar mulher de ‘catrevagem’

Styvenson também foi questionado sobre declarações feitas durante a campanha municipal de 2024, quando chamou de “catrevagem” o grupo político do qual fazia parte Milena Galvão, hoje sua segunda suplente na disputa pelo Senado. O senador negou ter tido desentendimento pessoal com Milena e atribuiu a declaração ao ambiente eleitoral.
“Ali foi campanha. Campanha vale”, declarou. Questionado sobre as consequências de declarações feitas por uma pessoa pública, insistiu que o episódio estava superado. “Eu pedi desculpa, pedi desculpa. E não passou, não?”, respondeu.
Styvenson classificou o caso como “águas passadas” e citou a atual aliança com Milena como sinal de que a divergência ficou para trás. “É muita coisa para você estar trazendo agora essa água parada, que faz tempo que já passou. E hoje Milena está lá comigo”, afirmou.

