O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou neste sábado (12) à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma notícia de fato pedindo a investigação de possíveis vínculos empresariais entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A iniciativa ocorreu após reportagem do ICL Notícias apontar conexões entre a empresa Bravo Grafeno, ligada a Flávio, e empresas relacionadas a Antunes.
Na representação, Lindbergh pede que a PGR solicite ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para apurar possíveis vínculos patrimoniais, contábeis e empresariais entre a Bravo Grafeno e estruturas ligadas a Antunes.
O deputado também solicita a quebra de sigilos bancário e fiscal, acesso a relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), perícia contábil e medidas de busca e apreensão.
Segundo o ICL, a Bravo Grafeno declarou como endereço a sala 2601 do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal. No mesmo local estão registradas, segundo dados públicos da Receita Federal citados pela reportagem, pelo menos 16 empresas vinculadas a Antunes.
Entre as empresas está a Prospect Consultoria Empresarial. Conforme relatório final da CPMI do INSS citado pelo ICL, a empresa recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas por descontos associativos sobre benefícios previdenciários.
Contador é citado na representação
Outro nome mencionado é Alexandre Caetano dos Reis, proprietário da Voga Serviços Contábeis. A empresa presta serviços para a Bravo Grafeno e para o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.
Alexandre também teria sido sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes em uma empresa registrada em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. Ele aparece ainda relacionado à contabilidade de empresas ligadas ao investigado.
Na representação, Lindbergh solicita que sejam analisadas possíveis movimentações financeiras entre empresas relacionadas ao esquema de descontos no INSS e a Bravo Grafeno. O deputado pede que sejam verificadas a origem do capital da empresa, faturamento, aportes, empréstimos e outras operações financeiras.
A solicitação também inclui a apuração de possíveis irregularidades eleitorais relacionadas à utilização da empresa para movimentação de recursos destinados a campanhas ou eventual financiamento indireto de pré-campanha.
A apresentação da notícia de fato não significa a abertura automática de uma investigação. A PGR deverá analisar os elementos apresentados e decidir sobre eventuais providências.

