O MALABARISMO JURÍDICO
Quando o assunto é transformar crimes de colarinho branco em peças de ficção jurídica, o Supremo Tribunal Federal (STF) opera com o entusiasmo criativo de um roteirista de Hollywood.
A bola da vez é o escândalo do Banco Master, que prometia ser um prato cheio para a Justiça, mas virou um banquete indigesto — para o contribuinte, claro, enquanto os investigados digerem caviar.
A trajetória começa a trilhar o mesmo asfalto esburacado da saudosa Operação Lava-Jato. Naquela época dourada, o Brasil assistiu a um espetáculo de delações premiadas, montanhas de dinheiro devolvido aos cofres públicos, planilhas detalhadas de propina e executivos confessando crimes com riqueza de detalhes, incluindo aí os depoimentos comprometedores do ex-ministro Antônio Palocci que contribuíram para a decretação da prisão de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, munido de uma criatividade impressionante, o ministro Gilmar Mendes encontrou amparo jurídico nas entrelinhas do nada para anular tudo, transformando confissões e bilhões recuperados em pó cósmico processual. O criminoso voltou a ser inocente, a prova virou miragem e a história repetiu-se como farsa.
Agora, o enredo do Banco Master superou a ficção. Não se trata apenas de desvios colossais e fraudes financeiras de fazer inveja a qualquer pirâmide; o caso desenhou uma verdadeira arca de Noé da corrupção, unindo a classe política em santa e tocante harmonia. Esquerda, direita, centro, centrão e o escambau uniram-se em festas, articulações e lobby pesado em favor do banqueiro Daniel Vorcaro. Ideologia nenhuma resiste quando o assunto é o repasse de recursos e a promiscuidade com o poder.
Para temperar o caldeirão, provas recém-surgidas da Polícia Federal colocaram os ministros Dias Toffoli (que tentou avocar o inquérito para chamar de seu) Alexandre de Moraes, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet e o Diretor-Geral da Policia Federal, Andrei Rodrigues no centro de um turbilhão de mensagens indiscretas, conversas em modo de visualização única e ligações perigosas. Relatórios apontam tratativas diretas, consultorias milionárias cruzadas, viagens, caríssimos whiskys e até pedidos para travar operações da PF.
Enquanto a imprensa e os observadores atentos já especulam sobre as manobras mirabolantes gestadas nos bastidores para declarar a nulidade de todo o processo — afinal, quem precisa de provas quando se tem o manto sagrado da jurisdição criativa? —, a República assiste a mais um capítulo do realismo fantástico tropical. No fim das contas, o processo do Banco Master caminha a passos largos para ter o mesmíssimo destino da Lava-Jato: um épico de investigações faraônicas que terminará solenemente arquivado em nome da harmonia entre os poderes, da amizade suprapartidária e do bom humor dos intocáveis.
ALHOS & BUGALHOS
Ao registrar a opinião de um leitor quanto ao tema de abertura desta coluna, o colunista confundiu alhos com bugalhos e registrou que a discordância seria de Francisco Assis de Souza, quando na verdade foi do professor Francisco Alexandre da Costa. Feita a retificação da discordância.
PESQUISA
Na quinta-feira, este Diário do RN, em parceria com o DataVero, estará trazendo mais uma rodada de pesquisa eleitoral para acompanhamento dos leitores e leitoras. Na nova pesquisa foram ouvidos 1.500 entrevistados, em todas as regiões do Rio Grande do Norte.
OPINIÃO
Do jornalista Merval Pereira sobre as últimas decisões do ministro André Mendonça: “A gente não pode cair na esparrela de achar que está acontecendo isso porque a eleição está próxima”
OPINIÃO 2
E continua: “Isso está acontecendo agora porque desde muito tempo que o Supremo faz política. E aí explode em algum momento, explodiu agora”.
OPINIÃO 3
Concluindo, o jornalista Merval Pereira diz que “Tem que investigar o ministro Alexandre de Moraes e o ministro Dias Toffoli, que escapou dessa por um acordo entre eles. Na decisão de Mendonça, não há nada de eleitoral, embora influencie a eleição. É a briga política que está instalada dentro do Supremo”.
SURPRESA
Pode ser que os marketeiros de plantão na presente campanha eleitoral ainda estejam “escondendo” algo surpreendente, mas até o momento, nenhuma das peças publicitárias exibidas na televisão trouxe qualquer novidade para o público.
CRIATIVIDADE
Nenhum marketeiro dos três candidatos com maior tempo na tv e no rádio – Álysson, Álvaro e Cadu – mostrou criatividade para o telespectador. A mesmice vem tomando conta e muita gente vem desligando a tv nos horários eleitorais. Se algum marketeiro ainda vai trazer algo de novidade, já é hora de apresentar aos telespectadores.
MACAU
Hoje, o município de Macau, atualmente com 28.318 habitantes, celebra os seus 151 anos de emancipação política. Mesmo sendo o maior produtor de sal marinho do país e também produtor de petróleo e gás e gerador de energia limpa, ao que parece, o municipio não tem muito o que comemorar na data.

