TELHADO DE VIDRO
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, vestiu o figurinista do apocalipse moral para decretar ao país que “o sistema apodreceu”. É uma constatação admirável, pena que venha de quem habita o epicentro desse próprio fedor político há décadas. Afinal, condenar a corrupção da tribuna partidária soa como um lobo elegendo-se síndico do galinheiro, esquecendo-se convenientemente de que a legenda nasceu ungida pelas graças sindicais, intelectuais e até eclesiásticas para logo depois se especializar nas empreitadas de cúpula que legaram à nação os marcos civilizatórios do Mensalão e do Petrolão.
Na ânsia de teorizar sobre a podridão alheia, o dirigente petista praticou o esporte olímpico da omissão seletiva: discursou sobre as chagas do Judiciário e o colapso institucional, mas passou longe de dar “nomes aos bois”. Silenciou solenemente sobre o recente furacão que abalou a Suprema Corte, ignorando o escândalo explosivo das mensagens vazadas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, assim como o papel protagônico de Dias Toffoli em decisões de grande repercussão. Preferiu a penumbra da generalização vaga a enfrentar o desconforto de apontar para a própria sala de visitas de uma República entulhada de delações engavetadas, acordos bilionários sob suspeita e crises de transparência na cúpula dos Poderes.
No mesmo caldeirão retórico, misturou alhos, bugalhos e cifrões ao debitar na conta da crise a farra das emendas parlamentares — essas mesmas ferramentas de chantagem orçamentária e de emendas pix que hoje aterrorizam o Palácio do Planalto e tiram o sono da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva na base do toma lá, dá cá fiscal. Enquanto o governo patina para conter o apetite do Centrão e se enrosca em negociações opacas de balcão, o comando petista tenta terceirizar a culpa de um modelo de governabilidade que o próprio partido aperfeiçoou e instrumentalizou com maestria.
Entre notas de rodapé defensivas, propostas tardias de códigos de conduta e malabarismos dialéticos para blindar a capela ardente governista, o comandante petista conseguiu a proeza de desperdiçar uma aula magna sobre o silêncio prudente. Ao tentar posar de vestal da probidade em meio a relatórios da Polícia Federal que sacodem o andar superior da República, sua diatribe não passou de um eco oco que em nada amortece a gravidade da UTI moral em que se transformaram as instituições brasileiras. Se o objetivo era salvar a narrativa eleitoral, Edinho Silva acabou por confirmar a regra de que, no hospício da política nacional, quem tem telhado de vidro reforçado por décadas de escândalos usa um megafone para gritar contra a própria tempestade que ajudou a armar.
DISCORDÂNCIA
Figura pública conhecida nos meios da educação e também no cenário político potiguar, o professor Francisco de Assis de Souza, conhecido como Chico Macaíba, faz observações discordantes da abertura desta coluna, na edição de ontem, quinta-feira, 3, quanto a abordagem das privatizações.
COMENTÁRIOS
Em seus comentários, Chico Macaiba contesta a avaliação do colunista e escreve: “Data vênia, distinto Bosco Afonso, em nenhum país que os Correios sirva ao povo, à nação, é uma empresa no estrito sentido capitalista, feita para dar lucro. Evidentemente, é um desafio reduzir os prejuízos.”
COMENTÁRIOS 2
Em outro tópico, o professor universitário classifica a privatização das petrolíferas, também citada no comentário da coluna, e diz: “Empresas petrolíferas ou de energia são bem distintas. Estratégicas, devem ter por finalidade o lucro, e numa democracia (social democracia) devem impulsionar o desenvolvimento do país”. E viva a controvérsia.
ENSINAMENTOS
O ex-prefeito Alysson Bezerra, candidato ao governo do estado pelo União Brasil, está dando uma verdadeira “lição” de marketing eleitoral aos marketeiros de plantão.
ENSINAMENTOS 2
Para observadores de plantão que se voltaram a acompanhar o debate entre os candidatos ao governo do estado promovido pela 98FM, há uma unanimidade de que “Alysson é um verdadeiro ator” e isso foi dito em outras palavras pelo candidato Robério Paulino, do PSOL.
TANGENTE
Além do mais, durante o debate da 98FM, o ex-prefeito de Mossoró soube “gastar o tempo” de seus adversários e economizar seu tempo para no final fazer o discurso à sua maneira. Os problemas do estado pouco foram discutidos.
TANGENTE 2
Em várias ocasiões, acuado pelos seus adversários com as denúncias sobre as investigações da Policia Federal em sua residência em Mossoró, Alysson procurava “deixar as cordas” e atiçava tema de discussão para envolver o seu acusador. E assim, deixou de responder essas acusações em algumas oportunidades.
SAMANDA
A candidata ao Senado federal Samanda de Lula (PT) tem usado o destempero do senador Styvenson Valentim (Podemos) – que fala que o trabalhador é vagabundo – ocorrido em uma sabatina. O vídeo exibido nas inserções da propaganda eleitoral tem um apelo emocional.

