O Brasil terá participação no processamento dos dados do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, novo observatório da Nasa que tem lançamento previsto para este domingo (30), às 8h26, no horário de Brasília. A missão contará com uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) para ajudar a identificar fenômenos astronômicos relevantes.
O sistema brasileiro é chamado Arandu, palavra de origem tupi-guarani que significa “sabedoria”. A ferramenta é desenvolvida pelo Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB-IA), do CBPF, e utilizará inteligência artificial para processar, filtrar e classificar os alertas produzidos pelo telescópio.
À frente do projeto está Clécio Roque De Bom, cientista do CBPF e coordenador científico do LAB-IA. O pesquisador explica que a quantidade de informações produzida pelo Roman tornará inviável analisar manualmente cada registro.
“O Roman produzirá um volume de dados que torna inviável examinar cada detecção manualmente. O Arandu usará inteligência artificial para organizar e classificar esse fluxo, ajudando os cientistas a encontrar os eventos mais relevantes para suas pesquisas”, afirmou.
Como funcionará a tecnologia brasileira
O Arandu é classificado como um broker de alertas astronômicos. Na prática, o sistema receberá informações das observações realizadas pelo Roman, cruzará os dados com catálogos e registros anteriores e classificará os fenômenos encontrados.
A ferramenta será especialmente importante para identificar eventos transitórios ou variáveis, que são fenômenos que mudam ao longo do tempo. Entre eles estão explosões estelares e alterações no brilho de estrelas.
A identificação rápida desses eventos permitirá que pesquisadores selecionem os fenômenos que merecem estudos mais detalhados e, quando necessário, sejam acompanhados por outros observatórios.
De Bom também destaca que o diferencial do Roman não será apenas a quantidade de objetos observados, mas a possibilidade de acompanhar mudanças no Universo.
“O diferencial do Roman não está apenas na quantidade de objetos que poderá observar, mas na possibilidade de acompanhar um Universo em transformação”, afirmou o pesquisador.
Roman terá campo de visão 100 vezes maior que o Hubble
O Nancy Grace Roman terá um espelho principal de 2,4 metros de diâmetro, equivalente ao do Telescópio Espacial Hubble. A principal diferença está no campo de visão: o novo observatório poderá observar uma área do céu pelo menos 100 vezes maior que a do Hubble.
Durante a missão primária, prevista para cinco anos, o telescópio deverá medir a luz de mais de 1 bilhão de galáxias. Entre os objetivos estão investigar a energia escura, a matéria escura, a evolução das galáxias e a formação de sistemas planetários.
O equipamento também deverá realizar observações repetidas de regiões próximas ao centro da Via Láctea para identificar mudanças no céu e procurar exoplanetas. A expectativa é que a missão revele mais de 100 mil mundos, incluindo planetas fora do Sistema Solar e corpos que vagam pelo espaço sem orbitar uma estrela.
Lançamento está previsto para domingo
O Roman será lançado a bordo de um Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Complexo de Lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
A decolagem está prevista para 8h26 deste domingo (30), no horário de Brasília, condicionada às condições técnicas e meteorológicas. A transmissão oficial da Nasa está prevista para começar às 7h20.
Após o lançamento, o telescópio seguirá para uma região localizada a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra, nas proximidades do ponto de Lagrange L2, onde também opera o Telescópio Espacial James Webb.

