A tradição das rendeiras da Vila de Ponta Negra foi o centro da visita técnica realizada na tarde desta terça-feira (18) pela Prefeitura do Natal, por meio da Secretaria Municipal de Turismo (Setur), em parceria com a Vivejar, instituição especializada em Turismo de Base Comunitária. A atividade integra a etapa de estruturação do projeto que busca transformar saberes, fazeres e modos de vida das comunidades natalenses em experiências turísticas, com participação de quem vive e produz nos próprios territórios.
A equipe esteve no Memorial e Ponto de Cultura e Memória das Rendeiras da Vila de Ponta Negra, localizado na Rua Vereador Manoel Coringa de Lemos, onde estão reunidos elementos da história, da arte e da identidade da comunidade. O espaço reúne rendeiras, peças artesanais, fotografias antigas e registros que ajudam a contar a trajetória da Vila de Ponta Negra ao longo do tempo, além de preservar manifestações culturais e referências importantes da história do bairro.
O local funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e também abriga a Tapiocaria das Rendeiras. A construção também faz parte da memória da comunidade: a casa já foi de palha, passou pela taipa e posteriormente ganhou estrutura de tijolos. Hoje, tornou-se um ponto de encontro para a preservação da cultura local e para a transmissão de conhecimentos entre diferentes gerações.
Recebida pela coordenadora e produtora das Rendeiras, Maria Maré, a equipe conheceu ainda a coleção “Ginga – Rendeiras de Bilro da Vila de Ponta Negra”, desenvolvida em parceria com a equipe da Artesol, iniciativa voltada à divulgação do trabalho artesanal produzido pelas mulheres da comunidade.
A tradição da renda de bilro se mistura a outras manifestações culturais que permanecem vivas na Vila. O espaço reúne referências aos Congos de Calçola, manifestação com cerca de 130 anos de história, além de elementos ligados ao movimento das rendeiras, às artes plásticas e às expressões populares que ajudam a formar a identidade cultural de Ponta Negra.
A visita faz parte do trabalho iniciado pela Setur a partir do mapeamento de iniciativas com potencial para integrar o Turismo de Base Comunitária em Natal. Nesta primeira etapa, além das rendeiras da Vila de Ponta Negra, também estão sendo conhecidas experiências da comunidade Gamboa do Jaguaribe, das colônias de pescadores e do Passo da Pátria.
A proposta é que o turismo seja construído a partir da identidade de cada território, respeitando suas características e colocando os moradores no centro da atividade. No caso das rendeiras, a intenção é dar continuidade a uma prática cultural que atravessa gerações e, ao mesmo tempo, criar possibilidades de geração de renda a partir do artesanato, da memória e das experiências que podem ser compartilhadas com visitantes.
Ao longo da visita técnica, a Setur e a Vivejar observam as potencialidades, necessidades e formas de organização de cada comunidade. O levantamento será reunido em um relatório que deverá orientar os próximos passos do projeto e apontar caminhos para a estruturação das experiências e, quando necessário, para a busca de recursos destinados à execução das ações identificadas.

