O empresário e influenciador Pablo Marçal foi lançado pelo PRTB como candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. O pedido de registro foi protocolado pelo partido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste sábado (15), último dia do prazo para registro das candidaturas.
A candidatura ocorre em meio a uma situação jurídica que ainda precisa ser resolvida. Marçal permanece inelegível por decisões da Justiça Eleitoral de São Paulo e, portanto, o registro protocolado pelo PRTB ainda será analisado pelo TSE. O simples protocolo da candidatura não significa que o empresário esteja autorizado definitivamente a disputar a eleição.
A mudança na candidatura ocorreu depois que uma decisão liminar da Justiça Eleitoral autorizou o retorno de Marçal ao PRTB. Ele havia deixado a legenda e se filiado ao União Brasil, mas precisava estar regularmente filiado ao partido pelo qual disputaria a Presidência dentro do prazo previsto na legislação eleitoral.
Com a decisão, o PRTB substituiu o presidente nacional da legenda, Leonardo Avalanche, que havia sido escolhido anteriormente como candidato à Presidência. Avalanche passou a integrar a chapa como candidato a vice-presidente.
Inelegibilidade
A situação eleitoral de Marçal é resultado de condenações relacionadas à campanha para a Prefeitura de São Paulo em 2024. Em dezembro de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) manteve uma condenação que determinou sua inelegibilidade por oito anos, contados a partir das eleições de 2024.
O processo analisou uma estratégia de produção e disseminação de vídeos nas redes sociais, conhecida como “concurso de cortes”, com remuneração e oferta de brindes a participantes. O TRE-SP manteve a condenação por uso indevido dos meios de comunicação social e a multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial.
A Corte paulista também registrou que Marçal possui outras decisões de inelegibilidade. Uma delas, relacionada à acusação de venda de apoio político a candidatos a vereador mediante doações de R$ 5 mil, foi revertida pelo TRE-SP em novembro de 2025. No entanto, segundo o próprio tribunal, permaneciam outras condenações em processos distintos.
Em outra ação, julgada em primeira instância, Marçal também foi condenado à inelegibilidade por oito anos por fatos relacionados à campanha de 2024. O processo ainda dependia de julgamento em segunda instância, conforme informações do TRE-SP.
Registro ainda depende da Justiça Eleitoral
Apesar de o nome ter sido registrado pelo PRTB, a situação de Marçal ainda não está definitivamente resolvida. O pedido de candidatura à Presidência será submetido à análise do TSE, que deverá verificar as condições de elegibilidade e eventuais impugnações.
A legislação eleitoral permite que pedidos de registro sejam protocolados e posteriormente analisados pela Justiça Eleitoral. No caso de Marçal, a principal questão será a possibilidade jurídica de afastar os efeitos das condenações que resultaram na inelegibilidade.
Assim, o empresário entra formalmente na lista de nomes apresentados para a disputa presidencial, mas sua participação efetiva na eleição ainda depende de uma decisão da Justiça Eleitoral.
O lançamento ocorreu às vésperas do início oficial da campanha eleitoral, que começou neste domingo (16), colocando Marçal novamente no centro da disputa presidencial de 2026, desta vez em uma candidatura marcada desde o início pelo embate jurídico em torno de sua elegibilidade.

