No Dia dos Pais, comemorado neste domingo (9), o presente mais valioso talvez não esteja guardado em uma caixa, mas sim reservado na memória de cada filho. Trata-se do cheiro do pai, uma “assinatura emocional” que resiste ao tempo e tem o poder de transportar o cérebro para momentos vividos décadas atrás.
De acordo com a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, a conexão não é apenas sentimental. Ela é também biológica. O olfato é o único dos sentidos que possui ligação direta com as áreas do cerébro responsáveis pelas emoções e memórias afetivas.
Diferente de imagens e sons, que passam por várias etapas de processamento, os aromas encontram um atalho para o sistema límbico. É na região que residem a amígdala (foco nas emoções) e o hipocampo (fundamental para a formação de memórias).
Por isso, ao sentir o cheiro do pai, o cérebro não resgata apenas a fragrância, mas todo o contexto emocional vivido, seja a alegria de um reencontro, o conforto de um conselho ou a saudade de quem já se foi. O cérebro registra a segurança, o acolhimento e o pertencimento associados àquela presença.
A razão pela qual as lembranças são tão difícies de apagar reside no período em que foram formadas. A memória olfativa é construída durante a infância, uma fase de grande plasticidade cerebral.
Durante os primeiros anos de vida, o cérebro está altamente receptivo a registrar sons, vozes e, principalmente, cheiros das pessoas que representam os primeiros vínculos afetivos.
O aroma do pai se torna uma espécie de “assinatura emocional”. Mesmo que, na vida adulta, a pessoa não consiga descrever com palavras qual era exatamente aquele perfume, a mente o reconhece de forma instântanea ao encontral algo semelhante, ao reativar as mesmas conexões neurais de proteção e amor criadas na infância.
Mais do que nostalgia, as lembranças persisntentes desempenham papel fundamental na construção da identidade emocional de cada indivíduo. As memórias afetivas ligadas ao olfato servem como referências de vínculo que ajudam a contar a história de quem somos.
Reencontrar o cheiro do pai é, para a neurociência, uma forma de reencontrar partes essenciais da própria trajetória.
“As nossas memórias afetivas ajudam a contar quem somos. Os aromas que marcaram a infância permanecem registrados como referências de vínculo, proteção e amor. Reencontrá-los é uma maneira de reencontrar partes importantes da nossa própria história”, afirma Petry.
*Com informações de CNN

