O Palácio do Planalto estuda adotar medidas de reciprocidade contra vistos americanos após o governo Trump revogar a autorização da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.
O argumento é de que os EUA reclamam de dois casos, quando nas contas do governo Lula há pelo menos 16 vistos cancelados de autoridades brasileiras dos poderes executivo e judiciário.
No último dia 24, o Ministério das Relações Exteriores negou pedidos de visto a dois funcionários ligados ao Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio.
Fontes afirmam que os dois visitariam o Brasil com o intuito de fazer ataque à confiabilidade das urnas e do sistema eleitoral.
Em julho de 2025, ao anunciar a revogação de vistos contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, e outros integrantes da corte, a gestão Trump publicou que a política de restrição de visto estava de acordo a Lei de Imigração e Nacionalidade, que autoriza o Secretário de Estado, Marco Rubio, a tornar inadmissível qualquer estrangeiro cuja entrada no país “teria consequências adversas potencialmente graves para a política externa”.
De lá para cá, a situação chegou a esfriar após uma aproximação dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e voltou a escalar com a aplicação de novos tarifaços contra o Brasil e um contexto apontado por fontes do governo brasileiro como de interferência eleitoral do governo Trump no Brasil.
Isso faz com que o Brasil não veja condição política para uma negociação com os Estados Unidos antes de outubro, o que inclui o tarifaço. A visão do Planalto é de que o governo Trump também deve esperar o resultado para saber com quem irá negociar.
A rigor, mesmo que não tenha visto, a embaixadora Maria Luiza Viotti pode continuar em território americano. A diplomata, no entanto, teria problemas caso saísse do país e precisasse voltar. A decisão atual do governo brasileiro é mantê-la nos Estados Unidos.
O Brasil repudiou a revogação em uma nota oficial da Secretaria de Comunicação da Presidência da República publicada na noite dessa terça-feira (4).
O comunicado, aprovado previamente pelo presidente Lula, teve o objetivo de dar a direção do governo diante dos fatos e mostrar, nas palavras de fontes ouvidas, que os argumentos do lado americano são falsos.
Diante da escalada do governo Trump, o Brasil fechou a porta para a possibilidade de conceder um agrément a Daniel Perez, que foi anunciado em julho para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
O deputado republicano ainda não teve aprovação do Senado americano.
*Com informações de CNN

