Por Elane Nascimento
Neste dia 29 de julho, a Arquidiocese de Natal celebra os 100 anos de Dom Heitor de Araújo Sales, arcebispo emérito que marcou a história da Igreja Católica no Rio Grande do Norte. A programação terá início às 17h, com uma missa em ação de graças na Catedral Metropolitana, presidida pelo arcebispo de Natal, Dom João Santos Cardoso. A cerimônia reunirá bispos e arcebispos de diversas dioceses do país, entre eles o cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro.
Além da celebração religiosa, a data será marcada pelo lançamento de um livro biográfico, de um documentário e de uma edição especial da revista A Ordem, dedicada ao centenário do religioso. A missa também será transmitida ao vivo pelo canal da Arquidiocese de Natal no YouTube.
Natural de São José de Mipibu, Dom Heitor completa um século de vida mantendo a serenidade que marcou sua atuação como sacerdote, bispo da Diocese de Caicó e, posteriormente, arcebispo metropolitano de Natal. Em entrevista concedida à Arquidiocese por ocasião do centenário, ele revisitou lembranças da infância, da vocação e da missão que abraçou ainda jovem.
Ao recordar as origens, Dom Heitor falou da simplicidade da vida em família e da convivência com os pais.
“Minha mãe era Josefa de Araújo Sales, conhecida como Teca, e meu pai era Celso Sales. Minha relação com eles foi sempre muito boa”, lembrou.
Após a morte do pai, ainda na infância, a família cresceu com o segundo casamento da mãe. Segundo ele, a convivência entre os irmãos sempre foi marcada pela harmonia.
“Do primeiro matrimônio de mamãe foram Eugênio, Sílvio, Alaíde, Cleomar e eu. Depois, ela casou novamente, e do segundo matrimônio são Max, Ney e Otto. A relação sempre foi muito boa com todos eles”, recordou.
O despertar da vocação
As brincadeiras de infância deram lugar, ainda na juventude, ao gosto pela leitura e a uma convivência cada vez mais intensa com a Igreja. A influência da família e da formação recebida no Colégio Santo Antônio, dos Irmãos Maristas, foi decisiva para a escolha do sacerdócio.
“Desde a infância, tive uma forte relação com a Igreja, tanto em casa, com meus pais, como no Colégio Santo Antônio, dirigido pelos Irmãos Maristas, que nos dava uma sólida formação religiosa”, disse.
Foi, porém, o exemplo do irmão mais velho, Dom Eugênio de Araújo Sales, que consolidou sua decisão.
“Ao acompanhar a caminhada vocacional de Eugênio, também despertou em mim o desejo de ser padre”, comentou.
A escolha nunca foi colocada em dúvida. Mesmo após décadas de ministério, Dom Heitor afirma que jamais cogitou seguir outro caminho profissional.
“Eu sempre quis ser sacerdote. Por isso, nunca pensei em ter outra ocupação ou profissão”, afirmou.
Ordenado sacerdote em 1950, Dom Heitor iniciou o ministério em Nova Cruz e, no ano seguinte, assumiu a Paróquia de Nossa Senhora das Graças e Santa Teresinha, no Tirol, em Natal. Também atuou como professor do Seminário de São Pedro e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), além de exercer diversas funções pastorais antes de ser nomeado bispo de Caicó, em 1978.
Em 1993, foi escolhido arcebispo metropolitano de Natal, cargo que ocupou durante dez anos. Nesse período, fortaleceu a formação de novos sacerdotes, promoveu a ampliação do Seminário de São Pedro, incentivou o diaconato permanente e acompanhou a beatificação dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, em 2000.
Questionado sobre o principal aprendizado de mais de sete décadas dedicadas ao sacerdócio, Dom Heitor resume sua missão em uma única inspiração.
“Procurar seguir os ensinamentos de Jesus Cristo, em todas as fases da vida”, respondeu.

Fé e longevidade
Aos cem anos, Dom Heitor evita estabelecer uma relação direta entre fé e longevidade. Para ele, o tempo de vida não mede a profundidade da experiência religiosa.
“Eu creio que não existe propriamente uma vida longa por causa da fé, porque alguém que tem uma vida breve pode também ter uma fé mais profunda do que alguém que viveu muito tempo”, ponderou.
A serenidade com que atravessa um século de vida, segundo ele, está ligada menos à idade e mais à forma de viver.
“Deus nos deu a vida e cabe a nós buscarmos viver de forma cada vez mais próxima a Ele e aos irmãos.
O segredo é viver em paz, em comunhão com as pessoas, cumprindo sempre o mandamento de Jesus Cristo: amar a Deus e ao próximo como a si mesmo”, concluiu.
Livro e documentário preservam legado

Como parte das homenagens pelo centenário, a Arquidiocese de Natal lançará o livro “Na unidade, na paz, na alegria – Dom Heitor 100 anos”, escrito pelo jornalista Adriano de Sousa. A obra será apresentada ao público logo após a missa deste dia 29 e ficará disponível para venda na loja da Catedral Metropolitana.
Também integra a programação um documentário biográfico, roteirizado por Adriano de Sousa e com direção de fotografia de Giovanni Sérgio. A estreia ocorrerá no dia 31 de julho, em sessão para convidados, no Midway Mall. Depois, o filme será exibido em cidades como Caicó, Currais Novos e Mossoró, além de ser disponibilizado no canal da Arquidiocese de Natal no YouTube.

