O Partido Novo ingressou no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) com uma nova representação contra o candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União Brasil), por suposta propaganda eleitoral antecipada. Na ação, protocolada no último dia 27, a legenda questiona a realização de dois eventos apresentados como convenções partidárias e aponta uma possível atuação coordenada de perfis nas redes sociais para ampliar a exposição do candidato antes do período permitido para a propaganda eleitoral.
A Representação nº 0600279-62.2026.6.20.0000 pede, em caráter liminar, a suspensão do perfil oficial de Allyson no Instagram, @allysonbezerra.rn, até 15 de agosto. Caso o pedido não seja acolhido, o Novo solicita, alternativamente, a retirada das publicações relacionadas ao evento realizado no último domingo (26), no Palácio dos Esportes, em Natal.
Um dos principais argumentos do Novo é a realização de dois eventos apresentados como convenções.
O primeiro ocorreu em 20 de julho, na sede estadual do União Brasil, quando foram formalizadas a candidatura de Allyson ao Governo, a composição da coligação e outras definições eleitorais. Seis dias depois, o grupo promoveu a “Grande Convenção da Esperança e do Trabalho”, no Palácio dos Esportes, reunindo candidatos, lideranças e apoiadores.
Em entrevista ao Diário do RN, o presidente estadual do Novo, Renato Cunha Lima, afirmou que é justamente a realização do segundo ato, após a formalização da candidatura, que sustenta o questionamento levado à Justiça Eleitoral. Na avaliação dele, o evento do dia 26 teria ultrapassado os limites de uma convenção partidária.
“O que caracteriza cabalmente, sem nenhuma dúvida, é comício antecipado, porque a legislação não permite”, afirmou.
Renato argumentou que a homologação de Allyson caberia à convenção do próprio União Brasil e já havia ocorrido no primeiro encontro. “Ele só pode ser aprovado pela convenção do União Brasil, porque ele é do União Brasil”, explicou.
O dirigente diferenciou o caso das convenções realizadas pelos demais partidos da aliança, destacando que cada legenda pode promover seu próprio ato e registrar apoio às candidaturas da coligação. “No dia 30 eu vou fazer a minha convenção e vou dizer lá que o Partido Novo está coligado com os demais partidos. Isso é de praxe, isso é normal”, exemplificou.
A caracterização do segundo evento como propaganda eleitoral antecipada, entretanto, é uma tese apresentada pelo Novo e ainda depende da análise da Justiça Eleitoral. “O juiz ainda não analisou.
Esperamos que o juiz analise”, ponderou Renato.
“Não tem nada a ver com censura”
O presidente do Novo também rejeitou a interpretação de que o pedido para suspender o perfil oficial de Allyson represente tentativa de censura. Segundo ele, a iniciativa busca fazer cumprir as mesmas regras eleitorais aplicáveis a todos os candidatos.
“Não tem nada a ver com censura. Tem a ver com cumprir a regra do jogo, a legislação que está posta, que é para mim, para ele, para qualquer pessoa”, afirmou.
Renato acrescentou que a nova representação faz parte de uma sequência de medidas adotadas pelo partido ao longo da pré-campanha envolvendo páginas que o Novo aponta como ligadas ao projeto político de Allyson.
“Isso não é do dia para a noite. Primeiro foram perfis apócrifos, anônimos. A gente pediu à Justiça Eleitoral para dizer quem são os donos desses perfis. Depois disso, em diversos momentos, a gente pediu a retirada dessas postagens e também a aplicação de multa”, relatou.
O dirigente ressaltou que o partido não questiona o direito de manifestação do adversário, mas sustenta que existem limites antes do início oficial da propaganda. “Ele pode falar o que quiser, pode criticar quem quiser, a liberdade de expressão precisa ser mantida, mas a gente precisa cumprir a legislação”, declarou.
Astroturfing também é apontado
Outr a frente da representação envolve a suspeita de astroturfing, estratégia de comunicação em que uma atuação coordenada busca produzir a aparência de apoio espontâneo nas redes sociais. Na ação, o Novo cita perfis que teriam atuado de forma articulada na divulgação de conteúdos favoráveis ao candidato.
Ao Diário do RN, Renato Cunha Lima afirmou que uma investigação eleitoral poderá verificar “se houve conduta vedada, abuso de poder econômico e político, se essa coordenação houve impulsionamento de rede social, se houve emprego de dinheiro, o alcance, a capacidade de influir no resultado das eleições”.
O presidente do Novo relacionou a situação ao caso de Pablo Marçal, então candidato à Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2024, cuja campanha também foi marcada por discussões judiciais envolvendo estratégias de divulgação nas redes sociais. Renato, no entanto, condicionou a comparação à eventual confirmação das suspeitas levantadas contra o grupo de Allyson. “Se tudo se corroborar nesse sentido, o caso dele vai se semelhar ao de Pablo Marçal”, afirmou.

