Dirigentes do Partido Verde (PV) Nacional participam nesta sexta-feira (17), em Brasília (DF), de um seminário que vai discutir o conceito de “governar por missões”, modelo de gestão pública desenvolvido pela economista italiana Mariana Mazzucato. O encontro pretende debater novos caminhos para o desenvolvimento brasileiro diante dos desafios da transição energética, das mudanças climáticas e das transformações da economia mundial.
A proposta do seminário é refletir sobre um modelo de planejamento capaz de integrar crescimento econômico, inovação, sustentabilidade e redução das desigualdades sociais. Segundo os organizadores, a ideia parte do entendimento de que problemas complexos exigem atuação coordenada entre Estado, universidades, setor produtivo e sociedade.
A abertura dos debates contará com palestras do professor Rivaldo Fernandes, do Rio Grande do Norte, e de Rhafael Rolim, de Brasília. Os palestrantes abordarão o cenário de transformações econômicas impulsionado pela transição energética, pelas mudanças climáticas e pela revolução tecnológica, destacando a importância de objetivos estratégicos de longo prazo para ampliar investimentos e fortalecer a competitividade do país.
A principal referência teórica do encontro será Mariana Mazzucato, professora da University College London e autora de estudos sobre políticas de inovação e desenvolvimento. Em suas obras, a economista defende que grandes avanços econômicos e tecnológicos ocorreram quando governos, setor privado e comunidade científica atuaram em torno de objetivos estratégicos comuns, chamados de “missões”. Os organizadores também destacam o diálogo desse pensamento com economistas brasileiros como Celso Furtado e Ignácio Rangel.
Durante o seminário, serão apresentados exemplos internacionais, como a corrida espacial dos Estados Unidos, a industrialização tecnológica da Coreia do Sul, a liderança da Dinamarca em energia eólica e as políticas de inovação de Israel na gestão dos recursos hídricos. Para os debatedores, esses casos demonstram como o planejamento estratégico e a coordenação institucional podem impulsionar transformações econômicas.
A programação também incluirá uma análise do potencial brasileiro para liderar a economia de baixo carbono. Entre os fatores que serão destacados estão a biodiversidade, a Floresta Amazônica, a matriz energética de baixa emissão, a disponibilidade de recursos hídricos, minerais estratégicos, o potencial para energias renováveis e o mercado consumidor do país.
Os participantes ainda discutirão a possibilidade de adotar um modelo de gestão pública estruturado em grandes missões nacionais, integrando diferentes áreas da administração pública em torno de objetivos estratégicos. Uma das propostas em debate será transformar o Brasil em uma referência mundial em economia verde, articulando políticas industriais, inovação tecnológica, bioeconomia, transição energética, infraestrutura sustentável, educação e pesquisa científica.
Segundo os organizadores, o conceito também pode orientar planos estaduais e municipais de desenvolvimento, ampliando a integração entre planejamento territorial, investimentos públicos e participação da sociedade.
O seminário ainda discutirá o papel dos partidos políticos diante das transformações econômicas globais. A expectativa é que as reflexões contribuam para a formulação de propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável e sirvam de base para novos debates envolvendo universidades, centros de pesquisa, gestores públicos e organizações da sociedade civil.

