“Carlota”: poesia em movimento no palco do Teatro Alberto Maranhão
Entre passos que desenham emoções no ar e corpos que narram histórias sem palavras, o espetáculo Carlota – Focus Dança Piazzolla chega a Natal como um convite à sensibilidade. O palco do Teatro Alberto Maranhão recebe uma experiência artística intensa, que celebra o encontro entre a dança contemporânea brasileira e a força atemporal do tango de Astor Piazzolla. Poético, arrojado e profundamente sensorial, “Carlota” propõe uma imersão no corpo como linguagem. A obra mistura drama, vigor e musicalidade, revelando novas possibilidades para o gênero e para o próprio corpo em cena.
Apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras, por meio da Lei Rouanet, o espetáculo é uma criação do diretor artístico e coreógrafo Alex Neoral, um dos nomes mais respeitados da dança contemporânea no país. Conversamos com Alex sobre o processo de construção do espetáculo e os desafios de manter a arte da dança, cada vez mais atrativa e encantadora junto ao público. Confira:
Diário do RN – A arte foi entendida por muito tempo como um espetáculo de contemplação e admiração. Como a dança pode tornar o público parte desse processo?
Alex Neoral – A arte ainda pode ser contemplada e admirada, mas também tem um papel de transformação muito essencial para uma sociedade, para pessoas que não são artistas, simplesmente são espectadores. A arte tem esse dom de transformar o mundo, questionar o mundo e entreter também, ser algo para contemplar. Sempre é bom relembrar que em 2020, na época da pandemia, o que salvou as pessoas foi a arte; foi as pessoas aguardarem aquilo passar lendo um livro, ouvindo uma música, vendo série, shows, então foi a arte que fez todo mundo não enlouquecer.
Diário do RN – “Carlota” é um espetáculo que faz uma justa homenagem a um dos maiores nomes na formação de bailarinos. Como fazer isso no palco e usar a dança como ferramenta de resgate emocional?
Alex Neoral – Carlota foi uma maneira que eu encontrei de homenagear algumas das minhas principais mestras, que foram a Carlota Portella, a Deborah Coker, Regina Sauer e Gisele Tapias. Foram mulheres essenciais na minha carreira, na minha formação como bailarino desde o início. Quatro mulheres muito determinadas, muito importantes para a dança brasileira e acho justo a gente conseguir homenagear pessoas importantes ainda em vida. A Carlota deixou a gente algum tempo depois desse espetáculo estrear, então ela pôde ver em vida esse espetáculo. Um reconhecimento, o título é o nome dela. Eu brinco dizendo que eu roubei esse amor da Carlota ou pedi emprestado e ela me emprestou gentilmente ao Piazzolla pra fazer esse trabalho.
Diário do RN – Fala pra gente sobre o elenco. Quem são os bailarinos e como foi a preparação para apresentar essa união de movimentos?
Alex Neoral – O meu elenco é um grupo que tenho muito carinho e respeito. São dez bailarinos. Busco nesses artistas que eles sejam potentes tecnicamente, potentes expressivamente, artisticamente, que tenham tanto da dança contemporânea quanto da técnica clássica, que é o meu olhar na dança contemporânea. Eu gosto bastante da técnica clássica, onde a minha formação inicial foi com Jazz. Hoje em dia tem um lado também muito teatral nas minhas criações. Então, isso exige que os bailarinos sejam bastante plurais. Muitos deles são de vários lugares do Brasil, tem bailarinos do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná… E tem o meu bailarino mais antigo, de Natal, é o Cosme Gregory, que tá comigo há 13 anos. Eu brinco que ele é igual ao vinho. Quanto mais velho, mais experiente fica, mais domina a minha linguagem.
Diário do RN – Como você conheceu o bailarino potiguar Cosme Gregory. Como se deu essa parceria no palco?
Alex Neoral – Eu conheci o Cosme quando ele dançava ainda na escola do Teatro Bolshoi, lá em Joinville. Ele apresentou um solo da autoria dele mesmo e não só fiquei impactado com o trabalho, mas com a performance dele como bailarino. Então, assim que eu precisei de um intérprete para minha companhia, eu contactei. Convidei pra ir pra companhia sem teste, tendo aquela performance na cabeça que combinaria com o meu estilo, com a minha linguagem. E não é a primeira vez que a gente vem a Natal. Nós sempre colocamos a capital potiguar nas circulações, porque a gente sabe que é importante para esse artista voltar para casa dele. Importante que todos saibam que o sonho de Cosme deu certo.
Ter começado na escola de dança do Teatro Alberto Maranhão, depois sair da cidade para estudar em Joinville, e hoje em dia estar numa companhia no Rio de Janeiro que dança o mundo inteiro, fazendo até 80 espetáculos por ano. Natal está sendo bem representada pelo mundo, com o talento e profissionalismo de Cosme.
Diário do RN – O tango e a dança contemporânea são estilos bem diferentes, mas o espetáculo pretende uni-los?
Alex Neoral – Sim! O tango é um estilo específico de dança de salão, e também virou um estilo musical, que é uma música específica para essa dança. A gente consegue reconhecer as sonoridades de um tango, uma dança com características fortes, passionais, emotivas, traz uma força nos seus acordes, nas suas melodias, mas é isso, para mim, que é o bonito. A dança contemporânea permite pegar qualquer estilo musical e transformar a dança contemporânea. Ela tem esse papel de ser muito aberta, muito receptiva a ideias. A dança contemporânea pode ser um espetáculo inteiro sem música. Ela pode ser um espetáculo ao som de Roberto Carlos, como a gente tem ‘As canções que você dançou pra mim’, que é um espetáculo que completa 15 anos em 2026. Ela pode ter música clássica, como de bar à nirvana. Ela pode se apresentar na rua. Então isso traz essa característica da Focus, de ser uma companhia muito versátil e ampla no seu repertório, tanto musical como propostas de exploração mesmo.
Diário do RN – A Focus Cia de dança possui mais de duas décadas de trajetória de sucesso. Como fazer para se reinventar a cada novo projeto? A mistura de linguagens é fundamental para conquistar novos públicos?
Alex Neoral – São 25 anos de muitos trabalhos diferentes. Acredito muito que é uma característica minha como criador de ter essa versatilidade, essa amplitude de trabalhos, de ir para um espetáculo infantil, trabalhar com música contemporânea, músicas compostas para o próprio espetáculo, Ney Matogrosso, Chico Buarque, Clarice Lispector, enfim, eu gosto muito dessa variedade. É um mesmo criador, é uma mesma cabeça, mas são momentos de vida diferentes. A gente acabou de remontar, em junho, o espetáculo Cinequanon, que é um espetáculo que eu me inspirei em cinema. E eu faço alusões e menções e recriações a vários filmes do cinema mundial. É bonito ver esse caminho de muito trabalho e insisto em dizer que esse caminho só conseguiu se manter forte, porque a gente tem esse patrocínio da Petrobrás por tanto tempo. Isso permite que a gente tenha uma manutenção… uma continuidade do trabalho.
Diário do RN – O Rio Grande do Norte tem grandes talentos da dança. Quem você destacaria do cenário atual?
Alex Neoral – Rio Grande do Norte tem muita gente talentosa. Eu tenho que citar o Cosme Gregori.
Um lindo artista, super potiguar. Já trabalhei também com Clébio Oliveira e hoje em dia ele é um coreógrafo que mora na Alemanha. Também tem a Vanessa Macedo, bailarina e coreógrafa; Diana Fontes, que é uma amiga querida amiga, já viemos para Natal em seu festival algumas vezes. Sem falar de Wanie Rose, que é uma profissional muito importante para a dança local e foi muito importante para o Cosme.
Diário do RN – Se você pudesse definir a difícil e prazerosa arte de viver da dança, como você definiria?
Diário do RN – Nossa, é uma pergunta que tem ali uma contradição. Eu concordo que ela seja prazerosa, eu encontrei essa paixão na arte da dança. É um trabalho que exaure o corpo, mas é um trabalho que eu encontrei prazer. Ser bailarino é uma profissão extremamente difícil, extremamente seletiva, que requer muita dedicação, muito estudo. A gente vai ensaiar mais, a gente vai se aprimorar, então é uma arte que faz o ser humano ser maior e melhor a cada dia.
SERVIÇO
Espetáculo: Carlota – Focus Dança Piazzolla
Direção artística e coreografia: Alex Neoral
Datas: 17 e 18 de julho – 20h
Local: Teatro Alberto Maranhão
Ingressos: olhaoingresso.showare.com.br/Default.aspx?display=list&filter=none&eventid=2140&websaleschannelkey=internetncc
Classificação indicativa: 12 anos
Desconto: Funcionários da Petrobras têm 50% de desconto em até 2 ingressos
Lazer para todos os públicos!
Música pra louvar

O maior festival de cultura gospel do RN, “Mossoró Sal & Luz”, chega à sua 5ª edição com mais de 30 atrações na programação, começando nesta sexta-feira (17). Serão cinco dias de evento, com shows de música, com atrações locais, regionais e nacionais. O palco do Polo Estação das Artes Poeta Elizeu Ventania receberá grandes apresentações de artistas e bandas. Entre as atrações estão: Aline Barros, Novo Som, Thalles Roberto, 3 Palavrinhas, e muito mais. O evento ainda contará com espaço reservado para livrarias. Mais uma vez, o festival fomenta a cultura com destaque para obras e autores na literatura cristã. O Teatro Municipal Dix-huit Rosado se transforma em Polo da Palavra para receber os artistas locais, em momentos de fé, louvor e adoração. A programação do “Mossoró Sal & Luz” 2026 será realizada nos dias 17, 18, 23, 24 e 25 de julho. A entrada é gratuita!
Filme bom pra cachorro

O CINEPET RN realiza, neste domingo (19), às 10h, a sua 40ª edição, reunindo famílias multiespécies em uma experiência que une lazer, cultura e convivência entre tutores e seus pets. Criado em 2018, o projeto foi o primeiro do Nordeste e o segundo do Brasil a promover sessões de cinema adaptadas para receber famílias multiespécies. Realizado pelo Encãotro RN, Praia Shopping e Moviecom Cinemas, o CINEPET proporciona uma sessão de cinema especialmente adaptada para os pets. O projeto é o único do país a contar com uma equipe de adestradores de abordagem positiva, que acompanha toda a experiência dos pets. As vagas para participação com pets nesta edição já estão preenchidas. Os interessados podem entrar em contato com a produção do projeto para realizar o cadastro para as próximas sessões. Mais informações: @cinepetrn

