Uma fotografia divulgada nesta quarta-feira (15) pelo portal ICL Notícias mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como chefe da milícia privada organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O contexto em que a imagem foi registrada não foi esclarecido.
Em nota, a assessoria de imprensa do senador afirmou que Flávio Bolsonaro não conhece Mourão e que jamais teve contato com ele. Segundo a equipe do parlamentar, o senador costuma atender diariamente dezenas de pessoas que pedem fotografias em eventos públicos.
“Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima. Flávio Bolsonaro reafirma que não conhece e nunca viu a pessoa na foto. É irresponsável tentar atribuir qualquer significado pessoal a uma imagem aleatória”, informou a assessoria.
A nota também levanta a hipótese de a fotografia ter sido produzida com o uso de inteligência artificial.
Além da manifestação oficial, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais comentando o caso. O senador afirmou não saber se a imagem é autêntica e reiterou que costuma posar para fotos com apoiadores durante agendas públicas.
“Alguns blogs de esquerda estão dizendo que tem uma foto minha com um tal de Sicário. Não sei se é verdade. Se for verdade, certamente é mais uma das várias que eu tiro todos os dias porque, graças a Deus, por onde eu ando, todo mundo pede para tirar foto, tem um carinho enorme pela gente”, declarou.
Na sequência, o pré-candidato voltou a afirmar que não tem como identificar todas as pessoas que o abordam para fotografias.
“Eu sou muito bem recebido por onde eu passo, tiro foto com todo mundo que me pede. Eu não tenho como saber quem é aquela pessoa que está tirando foto comigo”, disse.
Flávio Bolsonaro também comparou o episódio a uma visita recebida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto.
“Diferente do Lula, que recebe dentro do Palácio do Planalto a Deolane, acusada de lavar dinheiro para o PCC, e ainda chama ele de papai”, afirmou.
Foto teria sido registrada em 2022

Segundo o ICL Notícias, a fotografia foi obtida por uma fonte que pediu para não ser identificada e teria sido registrada em 2022, em um hotel localizado na zona sul do Rio de Janeiro.
O portal informou ainda que submeteu a imagem a ferramentas de detecção de conteúdo gerado por inteligência artificial e que nenhuma delas apontou indícios de manipulação.
A divulgação da fotografia ocorre cerca de dois meses após a revelação de mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro sobre o financiamento do filme biográfico Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente. Nas conversas, Flávio teria solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro apoio financeiro para a produção cinematográfica.
Quem era “Sicário”
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, foi apontado pela Polícia Federal como coordenador do grupo “A Turma”, identificado nas investigações como uma milícia privada ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Mourão foi preso em março deste ano durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Horas após a prisão, enquanto aguardava audiência de custódia na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, tentou tirar a própria vida dentro da cela. Ele foi socorrido e encaminhado a um hospital, mas teve morte cerebral confirmada dias depois.
De acordo com a investigação, “Sicário” exercia papel central na organização criminosa, sendo responsável pelo monitoramento de alvos, obtenção ilegal de dados e ações de intimidação. Segundo a Polícia Federal, ele também possuía antecedentes por crimes como estelionato, receptação, uso de documento falso e ameaça.

