DE CARLOS EDUARDO A TÉRCIO TINÔCO
Ah, a política papa-jerimum e seu folclore inesgotável! Se existisse um campeonato de ilusionismo partidário, os caciques do Rio Grande do Norte levariam o troféu para casa com folga. A bola da vez na coluna CONVERSA LIVRE é o balé acrobático do União Brasil rumo ao Senado Federal, sob a batuta afinadíssima do ex-senador José Agripino Maia e as bençãos do candidato ao governo, Alysson Bezerra.
Antes de fechar a janela de filiação, o União Brasil olhou para as pesquisas, mirou a Grande Natal e enxergou em Carlos Eduardo Alves o candidato ideal. O homem liderava as intenções de voto e parecia o noivo perfeito para o palanque de Alysson. Carlos Eduardo, faceiro e crente de que tinha tirado a sorte grande, assinou a ficha de filiação jurando que subiria no altar rumo a Brasília.
Mas na política, promessa de cacique tem a validade de uma pedra de gelo sob o sol escaldante de Mossoró. Mal o prazo de filiação expirou, a cúpula do União Brasil — dona de uma das maiores fortunas do fundo eleitoral do país — resolveu aplicar um clássico “canto de carroceria”. O argumento? Um chororô financeiro digno de tragédia grega: alegaram que não haveria um tostão furado do fundo para bancar a campanha majoritária ao Senado. Carlos Eduardo, que já se via discursando no Congresso, ficou a ver navios, assistindo ao seu sonho dourado evaporar como um monte de sal na maré alta do mês de janeiro.
Mas o verdadeiro espetáculo do absurdo começou agora. Com Carlos Eduardo escanteado e recolhido à sua perplexidade, o União Brasil milagrosamente “achou” uma solução caseira: o vereador natalense Tércio Tinôco. Sim, aquele mesmo fundo partidário que supostamente estava zerado e falido para Carlos Eduardo, agora parece ter encontrado algumas moedas perdidas no sofá para lançar o edil ao Senado.
Diante dessa reviravolta digna de teatro de bonecos, a pergunta que não quer calar aos dirigentes do União Brasil é: essa candidatura de Tércio é para valer ou não passa de uma encenação barata para cumprir tabela e garantir tempo de TV? E como estará a cabeça de Carlos Eduardo ao ver seu antigo “bilhete premiado” ser entregue de bandeja ao vereador natalense, após ser despachado sob o pretexto de falta de verba?
A política potiguar é mesmo um universo fascinante de forças ocultas, onde o “não temos dinheiro” de ontem vira o “vamos à luta” de hoje, e onde os próprios atores parecem não entender o roteiro da peça que encenam.
NATHÁLIA
A facção liderada pela deputada federal Nathália Bonavides dentro do Partido dos Trabalhadores no RN está querendo “melar” o compromisso assumido pela direção regional do PT em relação a segunda vaga para o Senado Federal.
DECISÃO
Há quase três meses, a direção do PT/RN decidiu que a segunda vaga para o Senado será disputada pelo coligado Partido Democrata Trabalhista – PDT, que escolheu o deputado Rafael Motta para ser o companheiro de chapa da petista Samanda Alves.
IMPLOSÃO
Agora, a facção petista “Articulação de Esquerda”, liderada pela deputada Nathália Bonavides, quer implodir esse compromisso político e acena para uma composição como o PSOL, que por sua vez já escolheu seus candidatos ao Senado.
PSOL
Bem antes de surgir essa possibilidade anunciada pelo grupo liderada pela deputada petista, o PSOL/RN já anunciara a composição de sua chapa para disputar as eleições majoritárias: Robério Paulino – Governador; Sandro Pimentel e Soraia Godeiro disputando as duas vagas do Senado Federal.
VANTAGEM
Segundo a pesquisa estadual realizada pelo Instituto DATAVERO nos dias 09, 10 e 11 com 1.500 entrevistados e com margem de erro de 2,56% e nível de confiança em 95%, a grande maioria que o candidato Alysson Bezerra vinha anunciando parece estar se diluindo.
VANTAGEM 2
Na pergunta em que o entrevistador cita os apoios de Agripino, Garibaldo Alves e Robinson Faria para Alysson; de Bolsonaro, Rogério Marinho e Paulinho Freire para Álvaro Dias; e de Lula para Cadu Xavier, os resultados foram esses: Alysson = 35,00%; Álvaro = 32,93%; e Cadu = 19,60%.
VANTAGEM 3
Na pergunta estimulada para o Governo do Estado, foi obtido o seguinte resultado: Alysson = 35,27%; Álvaro Dias = 33,57%; e Cadu = 10,80%. A recente pesquisa registra que já não há mais aquela grande distância entre Alysson para Álvaro Dias e que o candidato do PT já atingiu a casa dos dois dígitos.
ATRASO
O atraso no pagamento dos aposentados do Estado e também o não pagamento aos bancos dos empréstimos consignados descontados dos servidores foram assuntos debatidos na sessão de ontem na Assembleia Legislativa. Deputados registraram que os servidores estão sendo cobrados por parcelas já descontadas nos seus salários.

