O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A poucos dias da decisão prevista pelo governo norte-americano, marcada para 15 de julho, o Palácio do Planalto busca uma última reunião de alto nível com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), na tentativa de chegar a um acordo.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Brasil e Estados Unidos já realizaram uma rodada de negociações e concordaram em manter encontros técnicos para aproximar posições sobre os temas em disputa. O governo brasileiro considera o diálogo “construtivo”, mas reconhece que ainda há divergências que precisam ser superadas antes do prazo final.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo seguirá negociando até o último momento, conforme orientação do presidente Lula.
“Nunca abandone a mesa de negociação”, afirmou o ministro ao defender a permanência do Brasil nas tratativas com os Estados Unidos.
A possível sobretaxa é resultado de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos Estados Unidos avalia que determinadas políticas brasileiras representariam práticas comerciais consideradas desfavoráveis aos interesses americanos. O Brasil contesta essa interpretação e argumenta que a relação comercial entre os dois países é equilibrada e que não há justificativa para novas barreiras tarifárias.
Nos bastidores, integrantes do governo admitem que o cenário é desafiador, mas mantêm a estratégia de preservar o canal diplomático aberto, mesmo diante da possibilidade de as tarifas serem confirmadas. A avaliação é de que uma eventual continuidade das negociações poderá permitir futuras revisões das medidas ou exceções para determinados setores da economia brasileira.
Caso não haja acordo até 15 de julho, os Estados Unidos poderão anunciar a cobrança da tarifa adicional sobre parte das exportações brasileiras, medida que preocupa empresários e representantes da indústria por seus possíveis impactos sobre a competitividade dos produtos nacionais no mercado norte-americano.

