Mesmo com uma redução de 1,13% no total de ocorrências de violência contra a mulher entre janeiro e maio de 2026, o Rio Grande do Norte registrou aumento em indicadores considerados mais graves, como o descumprimento de medidas protetivas, tentativas de feminicídio e feminicídios. Ao todo, foram contabilizadas 8.042 ocorrências no período, de acordo com dados da Coordenadoria de Informações Estratégicas e Análises Criminais (Coine), da Polícia Civil.
Entre as ocorrências mais registradas estão ameaça (2.293 casos), lesão corporal (1.418) e injúria (1.314), indicando que a violência psicológica e física segue atingindo milhares de mulheres no estado.
Apesar da queda no número geral de registros, alguns indicadores apresentaram crescimento. Os casos de descumprimento de medidas protetivas passaram de 582 para 636 (+9,28%), enquanto a violência psicológica aumentou de 361 para 390 ocorrências (+8,03%). Também houve alta nos registros de dano (+4,32%), violação de domicílio (+15,74%), importunação sexual (+24,59%), tentativa de feminicídio (+14,81%) e feminicídio (+10%).
Para a advogada especialista no combate à violência contra a mulher, Sâmoa Martins, os dados demonstram que o problema continua preocupante.
“Mesmo com uma pequena redução no número total de registros, ainda estamos falando de mais de oito mil mulheres que procuraram ajuda ou tiveram coragem de denunciar algum tipo de violência em apenas cinco meses. Isso mostra que o problema permanece extremamente grave e precisa ser tratado como prioridade”, afirma.

A especialista destaca que o crescimento dos casos de descumprimento de medidas protetivas e dos crimes letais exige atenção das autoridades.
“Os números mais preocupantes são justamente aqueles relacionados ao agravamento da violência. O aumento dos casos de descumprimento de medidas protetivas demonstra que muitos agressores continuam desrespeitando decisões judiciais e colocando a vida das vítimas em risco. Da mesma forma, o crescimento das tentativas de feminicídio e dos feminicídios reforça a necessidade de fortalecer a rede de proteção e garantir uma resposta rápida das autoridades”, destaca Sâmoa Martins.
Outro dado que chama atenção é o aumento da violência psicológica praticada com o uso de inteligência artificial ou outras tecnologias capazes de alterar imagens e vozes das vítimas, que passou de quatro para cinco registros no período.
“A violência contra a mulher não começa, necessariamente, com agressões físicas. Ela costuma surgir por meio de ameaças, humilhações, perseguição, controle e manipulação emocional. Hoje, esse tipo de violência também acontece no ambiente digital, com o uso de inteligência artificial e outras ferramentas capazes de manipular imagens, vídeos e áudios. É fundamental que as mulheres reconheçam esses sinais e procurem ajuda o quanto antes. Nenhuma mulher deve enfrentar essa situação sozinha. A Lei Maria da Penha oferece mecanismos importantes de proteção, como as medidas protetivas de urgência. Além disso, familiares, amigos, vizinhos e toda a sociedade têm um papel fundamental ao denunciar situações de violência e apoiar as vítimas”, conclui a especialista.
Apesar da redução no total de registros, os indicadores apontam que a violência contra a mulher continua sendo um desafio no estado do RN, especialmente diante do aumento de crimes que representam maior risco à integridade e à vida das vítimas.

