Por Fernanda Sabino
Em passagem por Mossoró, o pré-candidato ao Governo do Estado pelo PT, Cadu Xavier, endureceu o tom das críticas ao hospital municipal entregue pelo ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) em janeiro deste ano. Em entrevista ao Diário do RN, o petista afirmou que visitou a unidade após receber informações de que o equipamento encerrava as atividades às 18h e classificou o local como um “hospital fake”.
“Eu estava em Mossoró e recebi a informação de que a policlínica só abria até 18 horas. Fui lá para ver com os meus próprios olhos. Cheguei às 19h30 e o funcionário me informou que estava fechado e que só abriria de manhã no dia seguinte”, relatou.
A partir da visita, Cadu voltou a questionar a estrutura e o funcionamento da unidade inaugurada pela gestão municipal. Segundo ele, o equipamento não reúne características básicas exigidas para funcionar como hospital.
“Não funciona 24 horas, não tem porta aberta. Na verdade, não é um hospital. É uma policlínica. É um hospital fake”, afirmou ao Diário do RN.
O petista também ironizou o modelo de funcionamento da unidade ao afirmar que o equipamento não atende pacientes durante a noite nem nos fins de semana.
“Só pode adoecer de dia. Se adoecer à noite não dá certo. Nem no fim de semana. O que está funcionando é a escala cinco por dois num hospital fake”, declarou.
Na avaliação de Cadu, a entrega da unidade representa mais uma ação de marketing da gestão municipal.
“É mais uma ilusão do ilusionista de Mossoró”, criticou, se referindo ao ex-prefeito Allyson Bezerra.
As declarações foram reforçadas em vídeo publicado nas redes sociais. A gravação começa em frente ao Hospital Municipal Francisca Gonçalves da Silva. Ao encontrar a unidade fechada, Cadu conversa com pessoas que estavam no local e questiona o horário de funcionamento do equipamento.
“Tá fechado? Fechou que horas? Seis? Tá bom, obrigado”, diz no vídeo ao confirmar que a unidade não estava funcionando naquele horário.
Na sequência, o pré-candidato amplia o tom das críticas e questiona as condições em que o equipamento foi entregue à população.
“Tem ex-prefeito que inaugura hospital que não funciona à noite”, afirmou, se referindo ao hospital municipal inaugurado pela gestão de Allyson Bezerra.
A crítica faz referência ao fato de a unidade funcionar com perfil de policlínica, realizando cirurgias eletivas de menor complexidade, sem UTI e sem atendimento permanente de urgência e emergência.
Após questionar a unidade municipal, Cadu seguiu para o Hospital Regional da Mulher Parteira Maria Correia, entregue pelo Governo do Estado, onde utilizou a estrutura do equipamento para fazer um contraponto à unidade municipal.
“E tem a governadora Fátima que fez o Hospital da Mulher. Esse hospital moderníssimo atende crianças e mulheres de Mossoró e de toda a região”, declarou ao destacar o alcance regional do equipamento estadual.
Durante a visita, a direção da unidade informou que o hospital conta com 139 leitos em funcionamento, incluindo leitos de UTI adulta e neonatal, além de pronto-socorro 24 horas para atendimento ginecológico, obstétrico e pediátrico.
Ao final da gravação, o petista voltou a comparar as duas obras e afirmou que a diferença está na entrega da estrutura já em condições de funcionamento.
“O Hospital da Mulher ficou pronto no governo da professora Fátima e entrou em pleno funcionamento no governo dela. Ou seja, o governo da professora faz obra, inaugura quando está pronta e coloca em pleno funcionamento”, concluiu.
O que caracteriza um hospital
De acordo com parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS), um hospital deve oferecer assistência contínua à população, com atendimento de urgência e emergência 24 horas, funcionando como porta aberta para pacientes encaminhados pelo SAMU, Corpo de Bombeiros e demanda espontânea. A estrutura também deve contar com leitos de UTI, centro cirúrgico, internação e capacidade para atender casos de média e alta complexidade.

