POR QUE LULA FUGIU DOS PREFEITOS?
A política, em sua essência mais pura, é o palco do embate, do olho no olho e da palavra empenhada. Quem tem história no palanque sabe que governar exige, acima de tudo, coragem para ouvir os aplausos e, principalmente, as vaias. Por isso, a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marcha dos Prefeitos, realizada em Brasília, não é apenas um detalhe de agenda; é um sintoma político grave que merece uma análise cirúrgica na coluna CONVERSA LIVRE de hoje.
Para quem tem boa memória, o filme que assistimos agora parece rodar em rotação inversa. Em 2004 e 2005, no auge de seu primeiro mandato, Lula não apenas comparecia à concentração dos prefeitos na Capital Federal, como subia ao palco de peito aberto, pronto para o embate. Erguia o tom, negociava no gogó e saía maior do que entrava. Este ano, contudo, o roteiro mudou drasticamente. Diante do convite dos gestores municipais de grande parte dos municípios brasileiros, o presidente preferiu a prudência do casulo do Palácio do Planalto e enviou o vice-presidente Geraldo Alckmin para representá-lo. Mandou o “chuchu” para amortecer o caldo que prometia entornar.
A pergunta que ecoa nos corredores de Brasília e nas praças do interior é uma só: por que Lula não quis se encontrar com os prefeitos se todos, sem exceção, foram ungidos e eleitos pela vontade soberana do povo livre de cada município brasileiro?
O silêncio da ausência grita mais alto que qualquer discurso ensaiado.
Será que o presidente amarelou com o justo receio de ser cobrado pela flagrante falta de apoio aos gestores municipais, que hoje carregam o piano da saúde, da educação e da infraestrutura quase sem os recursos devidos da União? Ou será que o fantasma do passado recente assombrou o Planalto, e Lula teve medo de ser vaiado pelo terceiro ano consecutivo? Convenhamos, ver o “pai dos pobres” ser escorraçado sob vaias retumbantes por uma plateia de prefeitos não pega bem em nenhuma biografia, muito menos agora, quando o governo tenta, a duras penas, pavimentar uma pré-campanha antecipada na tentativa de renovar seu mandato na Presidência da República.
O que se sabe, de fato e sem rodeios, é que os prefeitos merecem respeito. Dialogar com aqueles que foram eleitos pelo voto popular não é um favor do Executivo Federal, é um dever republicano.
Fugir desse debate legítimo só apequena a figura de Lula, um líder que historicamente sempre foi afoito e orgulhoso de sua capacidade de enfrentar interlocutores muito mais ferozes do que os prefeitos dos mais longínquos municípios brasileiros.
Ao se esconder atrás da diplomacia insossa de Alckmin, Lula preferiu o conforto do isolamento ao calor da realidade. O paradoxo é quase cômico: o político que se consagrou nas massas e nas greves agora descobre que a rampa do palácio pode ser alta demais para quem decidiu dar as costas ao Brasil profundo. Uma fuga covarde que apequena a história de quem um dia já foi gigante no debate.
TIME
Querendo aproveitar a boa fase que favorece atualmente o presidente Lula não apenas no Rio Grande do Norte, mas em todo o Nordeste, candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT) e de seus aliados seguem confiantes dessa dependência para alcançar êxito nas próximas eleições.
CAMPANHA
O chamado “Time de Lula”, formado pela chapa liderada por Cadu Xavier (PT) como candidato ao governo do estado, Samanda Alves (PT) e Rafael Motta (PDT) ao Senado, vai para a campanha confiante na influência do presidente Lula.
DESCONHECIDOS
Na chapa do chamado “Time de Lula” existem dois nomes desconhecidos para o eleitorado do Rio Grande do Norte que são os de Cadu Xavier e de Samanda Alves. De quebra, tem Rafael Motta (PDT) que já foi deputado federal e disputou bem a última campanha para o Senado Federal, em 2022.
INFLUÊNCIA
Resta acompanhar os acontecimentos da campanha eleitoral que começa mesmo na segunda quinzena de agosto e ver qual será, verdadeiramente, a influência do nome do presidente da República para a chapa do “Time de Lula” perante o eleitorado.
ATUALMENTE
No momento, o que se sabe através das pesquisas de opinião pública é que o nome do presidente Lula tem a preferência junto ao eleitorado potiguar, mas ainda não se sabe o quanto a sua influência irá valer para alavancar as candidaturas de Cadu Xavier, de Samanda Alves e de Rafael Motta.
PASSADO
Em 2014, uma gravação de Lula com Robinson Faria ajudou em muito a descolar aquela candidatura e o resultado é que Robinson derrotou Henrique Alves que era favoritíssimo para chegar ao governo do estado. A influência de Lula na vitória de Robinson foi cristalina.

