POR QUE A UERN NÃO PODE SER FEDERALIZADA?
A cena política potiguar foi incendiada na última semana por um tema que, embora recorrente, ainda é tratado como um “campo minado”: a sustentabilidade financeira da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). O gatilho foi uma análise do ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo, Álvaro Dias (PL), sobre as dificuldades estruturais que o Estado enfrenta para manter a instituição. A reação foi imediata. Adversários políticos, especialmente ligados às alas de Alysson Bezerra (União Brasil) e Cadu Xavier (PT), transformaram a avaliação técnica em um “cavalo de batalha” eleitoral, acusando Álvaro de planejar uma federalização que ele sequer formalizou como promessa e nem poderes para tal.
Entretanto, para além da “guerra de narrativas” e do uso de desinformação, surge uma pergunta pragmática que o Rio Grande do Norte precisa encarar: qual seria, de fato, o prejuízo de uma eventual federalização da UERN?
A UERN é um patrimônio histórico do interior potiguar, com um papel fundamental na capilarização do ensino superior. Contudo, o Governo do Estado vive um cenário fiscal combalido, lutando para cumprir o piso nacional da educação e garantir investimentos básicos em saúde e segurança. De acordo com a Constituição de 1988, o ensino superior é, prioritariamente, uma responsabilidade da União.
Ao manter uma estrutura robusta com campus em Mossoró, Natal e diversas regiões, o Estado assume um custo que asfixia outras áreas educacionais. A federalização, longe de ser um “desmonte”, poderia ser a tábua de salvação da instituição.
Para o corpo docente e discente, a migração para a esfera federal poderia significar: 1) Segurança Orçamentária: O orçamento federal para universidades (MEC) é consideravelmente mais resiliente do que as oscilações da receita estadual potiguar; 2) Fortalecimento da Pesquisa: Maior acesso a editais nacionais e recursos para infraestrutura laboratorial; e 3) Valorização Profissional: Alinhamento com as carreiras das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), historicamente mais estáveis.
Um dos argumentos mais sólidos para o debate é a priorização do ensino básico. Se o Estado fosse desonerado da folha da UERN, teria margem para atacar o problema crônico dos baixos índices do IDEB. É dever do Estado focar no ensino médio e auxiliar as prefeituras no ensino fundamental.
A resistência ideológica à federalização ignora que o Rio Grande do Norte precisa de um choque de gestão. Transformar a UERN em uma nova universidade federal não apaga sua história; pelo contrário, garante que ela continue existindo com a dignidade e o fôlego financeiro que a Governadoria, atualmente, não consegue oferecer. O debate é necessário, e o eleitor merece mais do que apenas ataques políticos: merece soluções para um estado que não pode mais esperar.
UERN
Na sessão plenária de ontem, terça-feira, 12, a deputada Isolda Dantas (PT) mostrou todo o seu radicalismo: “Não mexam com a UERN, a UERN é nossa, a UERN é para ser fortalecida, é para fazer o que a governadora Fátima fez: dar autonomia”.
UERN 2
Depois desses gritos estridentes da deputada Isolda, alguém poderia ter perguntado: “E aí, quando o estado não tiver dinheiro, o que será feito com a UERN?”
INTERNACIONAL
O ex-senador e ex-presidente da Petrobras, Jean-Paul Prates estará participando amanhã, quinta-feira, no São Paulo Innovation Week, do painel “Energia Eólica em terra e mar e a eletrificação da economia”.
DESTAQUE
Na ocasião, Jean-Paul destacará o papel estratégico do chamado Brasil Equatorial, faixa territorial que vai do Nordeste Setentrional ao Norte Oriental do país e concentra alguns dos maiores potenciais mundiais de energia renovável.
PARTICIPAÇÃO
Ao lado de Elbia Gannoum (ABEEólica) e Roberta Cox (GWEC), o ex-presidente da Petrobras também defenderá maior investimento em transmissão, armazenamento de energia, digitalização do sistema elétrico e modernização para evitar desperdício de energia renovável no país.
HOMENAGEM
O deputado Ubaldo Fernandes (PV) prestou homenagens ao Sistema Fecomercio e deixou registrado que “O SESC e o SENAC são instituições de credibilidade, que transformam vidas através da educação, da qualificação profissional, da assistência social, da cultura e do lazer”.
SERIDÓ
No final de semana, o Partido dos Trabalhadores (PT) promoveu encontro político no Seridó, realizado em Currais Novos, com as presenças de Cadu Xavier, pré-candidato ao governo, de Samanda Alves, pré-candidata ao Senado e da Governadora Fátima Bezerra.
RAFAEL
Enquanto o PT reunia todos os seus principais candidatos a cargos majoritários, que foi prestigiado por vários prefeitos e vereadores da região Seridó, os organizadores petistas esqueceram de convidar o pré-candidato ao Senado, na mesma chapa, Rafael Motta (PDT).

