O governo Lula saiu da reunião com Donald Trump sem sinais claros sobre contrapartidas que os americanos podem exigir para frear a investigação comercial contra o Brasil na chamada Seção 301.
Fontes que estiveram no encontro na Casa Branca pontuam que as contrapartidas podem ser esclarecidas dentro de um mês, a partir do grupo de trabalho que foi criado entre os dois países.
As contrapartidas podem surgir dentro do próprio contexto comercial ou da discussão sobre minerais críticos. As movimentações todas, a partir dos preparativos, da reunião em si e da abertura de portas, indicam um grande interesse do lado americano, pontuam fontes.
A reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump foi tratada pelo governo brasileiro como uma ação preventiva para frear punições pela investigação, que, entre outros pontos, mira, por exemplo, o PIX.
A expectativa do governo é para que o processo seja concluído entre junho e julho deste ano e que o Brasil consiga evitar que a investigação da seção 301 seja usada para reimpor tarifas.
Desde o ano passado, o governo tem trabalhado para mostrar que os Estados Unidos tiraram conclusões erradas sobre o Brasil e para frisar a relação superavitária entre os dois países.
A avaliação colhida junto a três fontes é de que a reunião de Lula e Trump foi extremamente bem-sucedida.
O Brasil é visto como em uma situação positiva, diferente de outros países que fizeram acordos assimétricos com Trump e saíram com resultados desfavoráveis.
Como Donald Trump tem levado invertidas judiciais sobre tarifas, a avaliação da diplomacia é de que o momento é favorável para o país.
O governo não esperava acordos formais e vê a “visita de trabalho” à Casa Branca como o desenho do “mapa do caminho” daqui para frente, em que os líderes dos dois países vão cobrar resultados mais adiante.
As primeiras reuniões entre as equipes americana e brasileira devem ocorrer já na semana que vem, sob o comando do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
*Com informações de CNN

