O resgate de uma prática quase esquecida em tempos digitais transformou-se em uma experiência pedagógica na Escola Municipal 4º Centenário, localizada no bairro do Alecrim, Zona Leste da capital. Idealizado pelo professor de Geografia Everson Fernandes da Silva, o projeto utilizou a troca de cartas manuscritas como ferramenta para tornar concreto o conceito de globalização, conectando estudantes da capital a estudantes das escolas municipais Professor Bartolomeu Fagundes e Doutor Alfredo Lira, ambas localizadas na zona rural de Macaíba (RN), distante 28 km da capital.
A proposta partiu da ideia de aproximar realidades distintas da região metropolitana. Por meio das cartas, os estudantes foram incentivados a escrever, imaginar seus correspondentes e conhecer o cotidiano de outros jovens. Segundo o professor, a iniciativa despertou questionamentos e ampliou a visão dos estudantes sobre o lugar onde vivem. Temas como qualidade da água, rotina urbana e acesso à tecnologia surgiram naturalmente nas cartas, evidenciando como a globalização se manifesta de forma desigual, mesmo entre comunidades próximas.
“Ao lerem as respostas, surgiram dúvidas sobre a qualidade da água em Natal e a rotina nos shoppings, enquanto os alunos da zona rural expressaram o desejo de conhecer as praias da capital”, disse. Para a coordenadora pedagógica da Escola Municipal 4º Centenário, Luzineide Carlos França de Araújo, o projeto representa um modelo de ensino que alia métodos tradicionais e contemporâneos. “A expectativa é que a experiência inspire outros educadores e possa ser incorporada a iniciativas institucionais sobre o tema”, afirmou.
Entre os estudantes, o impacto foi imediato. A troca de cartas, seguida por interações em vídeo, permitiu que rostos substituíssem nomes e que conceitos teóricos ganhassem significado prático. Para Adryan Fillipe Santos de Arruda, de 14 anos, a atividade ajudou a compreender as diferenças entre realidades tão próximas. “A troca de cartas foi muito interessante. Eles compartilharam como é a vida no interior e nos questionaram sobre a rotina na capital. Foi uma atividade muito proveitosa”, disse.
Já Claudiana Steffani da Silva Soares, de 15 anos, destacou o valor humano da experiência, classificando-a como enriquecedora e marcante. “Adorei escrever uma carta para uma colega de uma escola de Macaíba. Trocamos conhecimentos e curiosidades”, contou a estudante.
Ao evoluir do papel para o uso de recursos digitais, como mensagens de áudio e vídeos, o projeto demonstrou que tradição e inovação podem caminhar juntas. Mais do que uma atividade escolar, a iniciativa evidenciou o papel da educação na aproximação entre pessoas e na superação de barreiras geográficas.

