A morte do homem conhecido como “Sicário”, apontado pela Polícia Federal (PF) como integrante de organização criminosa liderada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, completa um mês nesta segunda-feira (6/4), sem conclusão do inquérito por falta de laudos.
Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, foi preso preventivamente em 4 de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras. No fim do mesmo dia, a PF divulgou que ele havia tentado se matar em uma cela da superintendência da corporação em Belo Horizonte.
Segundo a PF, ele se enforcou usando camisa de mangas compridas, no fim da tarde. Levado por uma ambulância do Samu para o Hospital João XXIII, teve morte encefálica decretada no mesmo dia. Mas foi dado como oficialmente morto em 6 de março.
“Ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Samu”, afirmou a PF na ocasião. Mas ela abriu um procedimento para apurar a morte do preso sob custódia.
A Superintendência da PF em Belo Horizonte tem duas celas, destinada apenas a abrigar o preso antes de ele ser levado a uma penitenciária. Sicário não passaria a noite na carceragem. A expectativa é que ele seguisse logo para uma penitenciária federal.
Apesar de a PF dizer que Sicário morreu após tentar suicídio, o inquérito ainda não foi fechado. Faltariam os laudos dos exames toxicológico e necroscópico, que estão sendo realizados pelo Instituto Médico Legal (IML), da Polícia Civil de Minas Gerais. Outros três já foram concluídos.
Agentes já interrogaram pessoas que tiveram contato telefônico com Sicário após a prisão dele, como garantido por lei. A PF garante que a tentativa de suicídio foi filmada, assim como o socorro ao preso, porque a cela tinha câmeras, sem ponto cego.
Quando encerrar a investigação, a PF enviará um relatório ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A PF não havia se pronunciado sobre o inquérito da morte de Sicário até a mais recente atualização deste conteúdo.
Responsável sobre o núcleo de intimidação e obstrução à Justiça
Também na terceira fase da Compliance Zero, a PF fez uma série de buscas e apreensões em diferentes endereços, além de prender Vorcaro e Fabiano Zettel, pastor evangélico que é apontado como operador nas fraudes do Master. Eles são sócios em fundos de investimentos.
O que chamou nessa etapa da Compliance Zero foram mensagens nos telefones de Vorcaro em que Mourão era identificado como Sicário – apelido dado a um matador de aluguel.
A PF apontou Sicário como o responsável pelo núcleo de intimidação e obstrução à justiça na organização criminosa supostamente liderada por Vorcaro. Tal grupo subordinado a Sicário era identificado como “A Turma” em grupo de WhatsApp encontrado no celular de Vorcaro.
Sicário obteria informações sigilosas com acesso ilegal a sistemas da PF, do Ministério Público Federal (MPF), do FBI e da Interpol. Também era suspeito de coordenar a vigilância presencial e as ações de pressão contra desafetos do grupo.
O Sicário faria ameaças e monitoramento a empregados e quem Vorcaro considerasse entrave para seus negócios, o que incluía jornalistas. Para executar suas ações, Sicário recebia cerca de R$ 1 milhão mensais, distribuídos pelo grupo da Turma, ainda segundo os investigadores.
Ele já era réu em outros processos por agiotagem, organização criminosa e lavagem de dinheiro em Minas Gerais. Havia sido preso em 2020, em Contagem (MG), em investigações sobre crimes financeiros e patrimoniais. Também respondia por estelionato e clonagem de cartões de crédito. Com informações do portal O Tempo.

