Um caso com desdobramentos no Rio Grande do Norte integra uma investigação internacional que identificou um homem de 31 anos acusado de abordar adolescentes pela internet, obter imagens íntimas sob pressão e armazenar milhares de arquivos ilegais.
De acordo com a apuração, mais de 300 vítimas foram identificadas, a maioria estrangeira, principalmente dos Estados Unidos, sendo sete brasileiras. Entre os casos, há registro de vítima no estado potiguar.
A investigação teve início após a denúncia feita por familiares de uma adolescente de 15 anos nos Estados Unidos, que passaram a desconfiar de mensagens recebidas pela jovem em redes sociais. A partir disso, autoridades norte-americanas iniciaram o rastreamento digital, que apontou que o responsável pelas abordagens estava no Brasil, mais precisamente em São Paulo. As informações são da coluna Manoela Alcântara do Metrópoles.
Com o compartilhamento das informações, a Polícia Federal deu continuidade às investigações. Segundo o inquérito, o suspeito criava perfis falsos, se passando por adolescentes, para se aproximar das vítimas em aplicativos de conversa.
Após estabelecer contato, ele solicitava imagens íntimas e, de acordo com a polícia, utilizava o material para pressionar as vítimas, ameaçando divulgar o conteúdo a familiares e contatos caso não recebesse novos arquivos.
O caso também contou com a atuação do Federal Bureau of Investigation, que identificou padrões de acesso, registros de contas e conexões digitais associadas ao investigado.
Em maio de 2023, a Polícia Federal deflagrou uma operação e apreendeu dispositivos eletrônicos ligados ao suspeito, encontrando mais de 6 mil imagens armazenadas. As investigações indicam que o mesmo padrão de abordagem foi repetido com vítimas de diferentes países.
O homem chegou a ser preso durante o processo investigativo e foi posteriormente condenado a seis anos de prisão por registrar e armazenar imagens envolvendo uma vítima no Rio Grande do Norte. Atualmente, ele responde em liberdade.
Segundo investigadores, o caso é considerado um dos principais exemplos de cooperação internacional entre a Polícia Federal e o FBI no combate a crimes digitais. A atuação conjunta tem sido ampliada por meio de acordos e memorandos com diversos países, visando o enfrentamento de crimes que ultrapassam fronteiras.

