Martha Graeff foi surpreendida pela dimensão das investigações e se sentiu enganada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirma a defesa da modelo. Segundo o advogado Lúcio de Constantino, em entrevista ao Estúdio i, Martha vive um “estado de choque e profunda decepção” após a prisão do banqueiro.
“Ela foi surpreendida com esse rombo com esse escândalo todo, tenha dúvida, não tenha dúvida (…) Esta mulher caiu em depressão.”
Segundo ele, Martha conhecia apenas a face pública e bilionária de Vorcaro, e as revelações da Operação Carbono Oculto mostraram a ela uma realidade que desconhecia.
“”O que aconteceu foi num período ela ter namorado uma pessoa que se destacava no sistema financeiro (…) e que depois disso começa uma série de revelações que ela desconhecia e que ela começa a ser partícipe do público para conhecer o que está acontecendo.”
Questionado sobre as mensagens em que Vorcaro prometia fundos milionários e ostentava influência, o advogado ponderou que o banqueiro parecia usar essas informações para valorizar sua imagem perante a então noiva.
“Em alguns momentos, percebe-se que ele ‘sobejava’ informações, que ele se valorizava. Isso parece um pouco comum em relação de namorados”, afirmou Constantino.
Para a defesa, Martha era receptora de histórias que agora se mostram parte de um contexto investigado. O advogado descreveu a situação como uma violência contra a modelo, que viu sua intimidade exposta.
Citação ao ministro Alexandre de Moraes
O advogado foi questionado sobre diálogos em que Vorcaro cita encontros com autoridades e uma suposta chamada de vídeo com o ministro Alexandre de Moraes. Em uma das conversas, Martha reage com surpresa: “Morri… que vergonha, eu estava de pijama”.
Constantino criticou a exposição desses diálogos íntimos no processo: “Se há uma mensagem que traz uma autoridade, o caminho é a investigação séria, a quebra de sigilo, e não a mídia agressiva sobre a intimidade de uma mulher”, defendeu.
‘Ela mora de aluguel’
Embora as investigações apontem conversas sobre um trust (fundo fiduciário) de R$ 520 milhões e propriedades de luxo, a defesa garante que nada disso se materializou na vida de Martha. O argumento da defesa é que ela continua vivendo do próprio esforço e não recebeu bens de Vorcaro.
“A Marta possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento. Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’. Ela mora de aluguel, em um apartamento alugado”, afirmou o defensor.
De acordo com Constantino, os bens que ela possui foram adquiridos em 20 anos de trabalho como modelo e influenciadora nos Estados Unidos, sem vínculo com o patrimônio do ex-banqueiro.
Convocação para a CPI
Sobre a aprovação da convocação de Martha Graeff pela CPI do Crime Organizado, o advogado afirmou que o depoimento pode estar juridicamente prejudicado. Ele citou uma decisão que teria vedado o acesso a certas mensagens.
“Se o interesse de ouvi-la é vinculado a mensagens que foram proibidas, o depoimento fica prejudicado. Não há como fazer um movimento junto a uma prova que foi vedada”, concluiu, afirmando que Martha se via apenas como namorada de um homem que se apresentava publicamente como bilionário de sucesso, sem desconfiar de irregularidades.
*Com informações do g1

