WALTER, O BODE EXPIATÓRIO
No xadrez político do Rio Grande do Norte, o xeque-mate nem sempre vem de um ataque frontal; às vezes, ele nasce da recusa em mover a peça. O que se desenhava em 2022 como um acordo de cavalheiros (e de sobrevivência eleitoral) entre o PT de Fátima Bezerra e o MDB de Walter Alves, transformou-se, neste 2026, em um roteiro digno de comédia dramática com contornos de tragédia fiscal.
A narrativa é conhecida: Fátima Bezerra, visando o Senado, preparava as malas para deixar o Centro Administrativo em abril. O tapete vermelho estava estendido para Walter Alves, o vice que, durante quase três anos, viveu a dieta política do “pão e água”. Tratado como figura decorativa e confinado ao papel de espectador de luxo, Walter viu a governadora abrir o cofre das nomeações apenas na undécima hora. Recebeu a CAERN (com diretoria blindada pelo PT) e secretarias de nomes pomposos, mas de execução complexa, como a de Assuntos Extraordinários — uma pasta cujo nome já sugere que o “ordinário” já não dava mais conta do recado.
Diz o ditado que “prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém”, especialmente quando se tem o ex-governador Garibaldi Filho como conselheiro de cabeceira. Walter, munido de um levantamento técnico minucioso realizado por amigos de confiança, deparou-se com o que nos bastidores chamam de “herança maldita”. A situação fiscal do estado não era apenas grave; era uma bomba relógio com o cronômetro acelerado.
Assumir o governo em abril significaria herdar o desgaste de Fátima, sem o bônus do tempo para reverter o quadro. Walter fez a conta que todo político veterano conhece: sentar na cadeira elétrica sem isolamento acústico resultaria em um suicídio eleitoral. Sem mandato e com a popularidade chamuscada pelo “fogo amigo” das contas públicas, ele seria apenas mais um ex-governador a mendigar atenção nos corredores da Assembleia.
Ao anunciar que não assumiria a vacância, Walter deixou a governadora em uma “sinuca de bico”.
Sem força na Assembleia Legislativa para emplacar o fiel escudeiro Cadu Xavier em um mandato-tampão, Fátima Bezerra viu o sonho do Senado virar fumaça. A solução? Permanecer no cargo até o fim, mas não sem antes eleger Walter como o “bode expiatório” da vez, acusando-o de falta de compromisso com o projeto governista.
A ironia é fina: Fátima termina o ano sem o mandato de Senadora que tanto almejava, “sacrificando-se” pelo Rio Grande do Norte, enquanto Walter Alves, silencioso e estrategista, prepara-se para retornar à Assembleia Legislativa como o puxador de votos do MDB.
No início de 2027, o cenário poderá ser emblemático. Fátima Bezerra, a titular, estará sem mandato e sem a caneta. Walter Alves, o “decorativo”, deverá estar com o diploma de deputado no bolso e as chaves do partido na mão. Na política potiguar, às vezes, dar um passo atrás é a única forma de garantir que, no futuro, haja um lugar para sentar.
CONSIGNADOS
Está marcada para aproxima quarta-feira, 25, a presença do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, no plenário da Assembleia Legislativa para prestar esclarecimentos sobre o atraso do pagamento aos bancos dos descontos de empréstimos consignados feitos junto aos servidores.
PUNIÇÃO
Pesa contra os servidores estaduais o fato de terem descontados em seus salários as parcelas de empréstimos consignados e não transferidos pelo Governo estadual aos bancos credores.
PUNIÇÃO 2
Isso trás como consequência o fato de os bancos credores, sem receber o repasse, negativar os servidores que fizeram os empréstimos. A Assembleia Legislativo quer punir a gestão estadual, creditando ao ato “apropriação indevida”.
NATÁLIA
Mesmo que as pesquisas anteriormente divulgadas a indicasse como favorita numa provável candidatura ao Senado Federal, a deputada Natália Bonavides não quis trocar o certo pelo duvidoso. Ela assumiria o lugar de Fátima Bezerra.
PUXADORA
Ao negar o convite do PT para disputar uma das vagas ao Senado, a deputada Natália Bonavides trouxe também tranquilidade aos que disputarão vagas na Câmara, em Brasília. A petista é reconhecida como “puxadora de votos” dentro da Federação Brasil da Esperança (PT/PV e PC do B).
NOMINATAS
Está dando dor de cabeça para alguns dos deputados federais formar nominatas e garantir suas vagas. Um dos exemplos é o deputado João Maia que corre o risco de ficar sem a companhia de Robinson Faria e Benes Leocádio na sua nominata.
ISOLAMENTO
Caso consolide a ida de Benes e Robinson para o Republicanos – como vem sendo cogitado – o deputado João Maia terá dificuldades sérias em retornar para a Câmara dos Deputados para um novo mandato, a partir de 2027. Tudo em razão do coeficiente eleitoral.

