No Agreste do Rio Grande do Norte, a produção de queijos de cabra tem se destacado como alternativa de geração de renda e valorização da agricultura familiar. À frente da Capril Buxada, o produtor Marcelo Paiva acumula 13 anos de atuação no setor e aposta na diversificação de derivados do leite caprino como estratégia de crescimento.
Localizada em Monte Alegre, a cerca de 40 quilômetros de Natal, a queijeira reúne atualmente mais de 30 produtos, entre queijos, iogurtes e doces. Parte desse portfólio já possui o selo Feito Potiguar, iniciativa que reconhece produtos com identidade local e contribui para ampliar a visibilidade no mercado.
A trajetória do produtor começou ainda na juventude, com a produção de leite bovino. Posteriormente, ele passou a trabalhar com leite de cabra, mas foi diante de dificuldades com indústrias que decidiu investir na fabricação de derivados. A mudança marcou o início da consolidação da marca no segmento de produtos artesanais.
Entre os destaques da produção estão o queijo Paixão, o queijo tipo reino de leite de cabra e o Cabrita, um queijo de coalho caprino. Em 2025, a empresa recebeu o selo Feito Potiguar durante cerimônia realizada em Santa Cruz, reconhecimento que, segundo o produtor, impulsionou a visibilidade e as vendas.
“O apoio do Sebrae tem sido fundamental para dar visibilidade ao nosso trabalho. Muitas pessoas ainda não conhecem os produtos derivados do leite de cabra, mas aos poucos estamos quebrando essas barreiras”, afirma.
A participação em feiras e concursos também foi decisiva para o crescimento do negócio. Com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RN) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a empresa conquistou mais de 18 premiações em eventos do setor. Entre elas, o reconhecimento da manteiga ghee Delícia da Cabrita, eleita em 2022 como o sexto melhor produto lácteo do mundo.
Para especialistas, iniciativas como a da Capril Buxada demonstram o potencial competitivo de produtos com identidade regional. Segundo Elton Alves, gestor do programa Feito Potiguar, a valorização da origem, aliada à qualificação e à inserção em novos mercados, tem permitido que empreendimentos locais acessem nichos mais exigentes e ampliem sua presença comercial.
A estratégia, baseada em inovação, diversificação e fortalecimento da marca, evidencia como a produção artesanal pode se consolidar como alternativa sustentável no campo, agregando valor e ampliando oportunidades para o agronegócio potiguar.

