Por Fernanda Sabino
O Brasil registrou 88 casos confirmados de mpox, anteriormente conhecida como monkeypox, nos primeiros meses de 2026. Apesar do aumento recente, não há registro de óbitos neste ano e os quadros têm sido considerados leves a moderados. No Rio Grande do Norte, não há casos confirmados, mas as autoridades de saúde mantêm vigilância ativa após a investigação de uma suspeita em Mossoró, já descartada por exame laboratorial.
De acordo com o panorama nacional divulgado em fevereiro, a maior concentração de casos está em São Paulo, com 62 confirmações. Também há registros no Rio de Janeiro, com 15 casos, além de Rondônia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal. O aumento recente tem sido associado ao período de carnaval, embora o cenário atual esteja distante do pico observado em 2025, quando o país ultrapassou mil casos ao longo do ano.
No Rio Grande do Norte, o único caso suspeito em 2026 foi registrado em Mossoró. A paciente deu entrada no dia 20 de fevereiro na Unidade de Pronto Atendimento do Alto de São Manoel com sintomas compatíveis com a doença. Segundo a Prefeitura de Mossoró, a Secretaria Municipal de Saúde seguiu o protocolo do Ministério da Saúde, com isolamento, medicação e coleta de material para exame, encaminhado a Natal. O resultado, divulgado no dia 25, foi negativo.
“Desde o primeiro atendimento, a Secretaria Municipal de Saúde acompanhou o caso, seguindo todos os protocolos estabelecidos pela Vigilância em Saúde e pelo Ministério da Saúde. A paciente recebeu a assistência necessária, os exames foram realizados e, com o resultado negativo, a suspeita foi descartada”, destacou a secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas.
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) ressalta que, embora o caso tenha sido oficialmente descartado no último dia 26, o estado segue monitorando a situação, como faz em relação a outras doenças contagiosas.
A mpox é uma doença viral causada por um vírus da mesma família da varíola humana, erradicada há décadas. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com lesões na pele, fluidos corporais ou objetos contaminados, além de contato íntimo.
Os principais sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço e o surgimento de lesões na pele, que podem evoluir para pústulas, geralmente dolorosas. A orientação das autoridades de saúde é que pessoas com esses sinais procurem uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) para avaliação médica e, se necessário, isolamento até a confirmação ou descarte do diagnóstico.
O infectologista Igor Thiago explica que o vírus tem características semelhantes ao da antiga varíola. “O mpox é um vírus filogeneticamente muito próximo ao vírus da varíola humana, que está erradicada há bastante tempo. A transmissão ocorre principalmente por contato íntimo, pele a pele, o que facilita a disseminação em situações de contato direto”, detalha.
Segundo ele, após o período de incubação, surgem lesões com aspecto característico. “A principal lesão é a pústula, arredondada, com conteúdo purulento e centro umbilicado, como se fosse um pequeno umbigo. Pode haver poucas ou várias lesões espalhadas pelo corpo, muitas vezes na região genital, e elas podem ser bastante dolorosas”, explica.
O diagnóstico é feito por exame molecular, com coleta de material da secreção ou da crosta da lesão para identificação do DNA do vírus. Em relação ao tratamento, o médico ressalta que, na maioria dos casos, a conduta é de suporte. “O tratamento costuma ser sintomático, com analgésicos e medicamentos para aliviar o desconforto. Existe um antiviral, o tecovirimat, mas é de difícil acesso e geralmente reservado para casos mais graves, que necessitam de internação, e mesmo assim sua eficácia ainda é discutida na literatura médica”, afirma.
Igor Thiago acrescenta que não há vacinação específica amplamente disponível no momento e reforça que a prevenção está centrada na redução do risco de exposição. “Evitar contato com pessoas com lesões suspeitas, não compartilhar objetos pessoais e manter higiene frequente das mãos são medidas fundamentais para interromper a cadeia de transmissão”, orienta.

