A INSTABILIDADE DE CANDIDATURAS AO GOVERNO
A sucessão estadual no Rio Grande do Norte para o pleito de outubro de 2026 desenha um cenário de alta voltagem política e jurídica. Com a recente definição dos principais grupos, o tabuleiro potiguar agora se divide entre a continuidade do projeto governista, a força emergente do interior e a reorganização da oposição na capital, tudo isso sob a sombra de investigações e processos que podem alterar o curso da disputa.
Atualmente, três nomes concentram as atenções e as estratégias das maiores forças políticas do Estado: 1) Alysson Bezerra (União Brasil), prefeito de Mossoró, consolidou-se como preferência pelo eleitorado. Impulsionado por uma gestão bem avaliada no segundo maior colégio eleitoral do RN, Alysson lidera as pesquisas de intenção de voto registradas até o momento, aparecendo com índices que variam entre 30% a 35%. Sua força reside na imagem de “gestor eficiente” que desfila fácil pelas redes sociais e na capacidade de atrair o eleitorado do interior. 2) Álvaro Dias (Republicanos), ex-prefeito de Natal que entrou definitivamente na disputa após uma reviravolta no campo da direita. O senador Rogério Marinho (PL), que aparecia tecnicamente empatado com Alysson nas pesquisas, anunciou sua desistência para coordenar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Com isso, Álvaro assume o posto de principal nome do grupo oposicionista ligado ao bolsonarismo, herdando uma base sólida de apoio em todas as regiões, especialmente na região metropolitana. 3) Cadu Xavier, atualmente Secretário de Fazenda, é a aposta da governadora Fátima Bezerra para manter o Partido dos Trabalhadores no poder. Embora ainda enfrente o desafio do desconhecimento por parte de grandes fatias do eleitorado — o que reflete em números modestos nas pesquisas iniciais (geralmente abaixo dos 10%) —, ele conta com a robusta máquina estatal e o apoio de uma coalizão que governa o estado desde 2019, apesar do desgaste governamental da petista Fátima Bezerra.
Apesar do favoritismo numérico de alguns nomes, o cenário jurídico impõe nuvens cinzentas sobre duas das três principais candidaturas: A liderança de Alysson Bezerra enfrenta agora seu teste mais severo. A recente operação Mederi, da Polícia Federal, também conhecida como “A Matemática de Mossoró”, investiga supostos desvios em verbas da saúde pública. As suspeitas de irregularidades em contratos e pagamentos de propinas colocam o prefeito no centro de um furacão midiático. Analistas políticos sugerem que o desgaste da imagem de “menino pobre que venceu pelo trabalho” pode diluir sua preferência no eleitorado, especialmente se as investigações avançarem para medidas restritivas ou condenações em primeira instância.
No campo de Álvaro Dias, a ameaça vem da Justiça Eleitoral. O ex-prefeito responde a processos movidos pela Federação (PT, PV, PC do B) – apoiadora da candidatura derrotada de Natália Bonavides a prefeita de Natal, em 2024 – por suposto abuso de poder e irregularidades durante o período em que esteve à frente da capital. Especialistas no campo jurídico apontam que a situação de Álvaro é distinta da de outros aliados, como o prefeito Paulinho Freire, devido ao seu envolvimento direto nos atos questionados. Uma eventual condenação poderia torná-lo inelegível, forçando uma nova reestruturação da direita às vésperas do registro de candidaturas.
Neste contexto de instabilidade para os adversários, o nome de Cadu Xavier ganha um ativo estratégico relevante: a segurança jurídica. Sendo o único dos três principais nomes sem pendências judiciais ou investigações de órgãos federais em curso, Cadu apresenta-se como a “candidatura ficha limpa” do pleito.
Embora o desafio de crescer nas pesquisas seja real — dada a baixa popularidade atual comparada aos rivais —, o grupo governista aposta na estratégia de “sangria” dos oponentes pelas vias judiciais para equilibrar o jogo. A tese é que, enquanto Alysson e Álvaro se defendem nos tribunais, Cadu terá o caminho livre para apresentar as ações do governo estadual e se consolidar como uma opção segura para o eleitorado que teme novas crises políticas.
A eleição de 2026 no Rio Grande do Norte não será decidida apenas nos palanques, mas também nos autos processuais. O equilíbrio da trinca de candidatos depende, agora, da velocidade das decisões judiciais e da capacidade de resposta de cada grupo às crises de imagem.
Para Alysson Bezerra, o desafio é provar inocência antes que o capital político se evapore. Para Álvaro Dias, é vencer a barreira da inelegibilidade. E para Cadu Xavier, é converter sua estabilidade jurídica em votos reais, tentando quebrar a polarização que, por enquanto, o mantém em terceiro lugar.

