WALTER E O RESGATE DO LEGADO DE GARIBADI
O cenário político do Rio Grande do Norte assiste a uma movimentação que redefine as alianças para a sucessão estadual. O vice-governador Walter Alves (MDB) consolidou seu apoio à candidatura de Alysson Bezerra (UB) ao Governo do Estado, marcando um rompimento estratégico com o grupo da atual governadora Fátima Bezerra (PT). A decisão veio acompanhada de um gesto simbólico de alto impacto: a recusa em assumir a titularidade do Executivo, o que ocorreria com a renúncia de Fátima para disputar o Senado.
Pressionado por correligionários e aguardado pela oposição a adotar uma postura de ataque direto à gestão petista, Waltinho escolheu um caminho mais sofisticado e politicamente eficaz.
Em vez de recorrer a afronta ou a críticas ácidas, o emedebista tem utilizado o espelhamento histórico. Em recentes pronunciamentos, Walter optou por exaltar as realizações de seu pai, o ex-governador Garibaldi Alves Filho, para evidenciar, por contraste, as lacunas do atual governo.
Ao evocar a figura do “Governador das Águas”, Walter toca em um ponto sensível da memória afetiva e administrativa do estado. Garibaldi é lembrado por uma gestão municipalista, que prestigiava prefeitos, vereadores e lideranças independentemente de coloração partidária — uma postura que muitos aliados atuais sentem falta na gestão de Fátima. O contraste é numérico e qualitativo: enquanto Fátima amarga índices de rejeição que ultrapassam os 60%, a gestão de Garibaldi é frequentemente citada como um padrão de eficiência e diálogo.
A insatisfação de Walter Alves não é infundada. Apesar de ter sido peça fundamental para a vitória da chapa em 2022, o MDB viveu um período de ostracismo no Centro Administrativo.
Durante quase três anos, o prestígio prometido não se traduziu em espaços reais de poder.
Somente no último ano o partido assumiu a presidência da Caern, ainda assim de forma isolada, sem o controle das diretorias de apoio, e recebeu secretarias com orçamentos limitados, o que dificultou entregas robustas à população.
Agora, focado em fortalecer a bancada do MDB na Assembleia Legislativa e viabilizar a vitória de Alysson Bezerra, Walter Alves utiliza a “política do espelho”. Ele não precisa “falar mal” da governadora; basta-lhe perguntar ao eleitor se o Rio Grande do Norte prefere o modelo de isolamento atual ou a era de progresso e municipalismo representada pelo legado de seu pai.
Com essa narrativa, Walter projeta o futuro olhando para o que deu certo no passado, transformando a comparação na sua principal arma eleitoral.
RETROVISOR
A governadora Fátima Bezerra (PT) cumpriu o rito institucional ao ir até a Assembleia Legislativa para apresentar a sua mensagem anual. Aproveitou para fazer um verdadeiro balanço de sua gestão na tentativa de desfazer equívocos em relação ao seu segundo mandato.
RETROVISOR 2
Na mensagem governamental, parecia até que a governadora Fátima estava rebuscando a gestão de Robinson Faria. É evidente que sobre a gestão de seu antecessor, a governadora Fátima já enfatizou isso há sete anos atrás, quando apresentou sua primeira mensagem anual aos deputados.
RETROVISOR 3
Tudo o que a governadora fala sobre a gestão Robinson Faria é verdadeiro, mas é bom lembrar que essa administração foi encerrada em 1º de janeiro de 2019, portanto há mais de 7 anos. Não dá mais para ficar olhando pelo retrovisor.
CONQUISTAS
Em sua mensagem anual, a última de seu segundo mandato popular, a governadora Fátima Bezerra também teve oportunidade em enumerar as várias conquistas de sua administração, a partir dos recursos hídricos e também da recuperação de estradas, considerados pontos fundamentais para a economia potiguar.
CONQUISTAS 2
Apesar de crises que continuam a ocorrer nos principais hospitais do estado, a governadora Fátima Bezerra também celebrou vitórias na saúde, comemorou a redução da violência e enumerou as vantagens do setor em relação ao seu antecessor.
DESMENTINDO
Como querendo desmentir todas as informações que circularam sobre as dificuldades enfrentadas pela gestão estadual, principalmente por conta do comprometimento financeiro com folha de pessoal, a governadora petista disse que o Rio Grande do Norte “está melhor do que antes”.
ROMPIMENTO
Depois que rompeu politicamente com a prefeita Nilda, de Parnamirim, antes mesmo de completar o primeiro ano da gestão, a vice-prefeita Kátia Pires decidiu agora romper com o seu partido, o União Brasil que é dirigido no RN pelo ex-senador José Agripino. Ela vai apoiar a candidatura de Álvaro Dias ao governo do estado.
TRÔCO
Em meados de 2024, já nos preparativos para as eleições municipais, o senador José Agripino preferiu prestigiar a Kátia Pires que ao comunicador Salatiel de Souza na ocasião em que este anunciava sua pretensão em disputar a Prefeitura de Parnamirim, como de fato ocorreu. Agora, Kátia deu o “trôco” a Agripino.

