A TRANSPOSIÇÃO E O DILEMA DA SECA
O Rio Grande do Norte assiste, entre a esperança e o ceticismo, ao avanço das águas do Rio São Francisco em solo potiguar. No entanto, a chegada do “Velho Chico” traz consigo uma indagação que ecoa com a mesma força das corredeiras: para quem, de fato, corre essa água? Enquanto o estado mergulha em uma estiagem assustadora e o semiárido exibe cicatrizes profundas, o debate sobre a finalidade desse recurso torna-se uma questão de sobrevivência humana e ética política.
A realidade no interior é desoladora. Na região do Seridó, o cenário é de um campo de batalha após a derrota. O gado, patrimônio histórico e sustento de gerações, sucumbe à inanição. Não há pasto, e o que resta é a imagem de carcaças ao sol, já que o pequeno produtor, asfixiado pela falta de crédito e pela alta dos insumos, não possui recursos para comprar a ração necessária. Para esses homens e mulheres, a seca não é uma estatística, mas um luto diário.
O paradoxo reside na gestão dessa abundância recém-chegada. Se, por um lado, as águas deveriam prioritariamente saciar a sede de uma população que há décadas convive com o colapso dos reservatórios, por outro, há o temor de que a engenharia política direcione o fluxo para o agronegócio de larga escala. Embora o setor seja vital para o PIB estadual, a balança da justiça social exige que o consumo humano e a subsistência do pequeno produtor — o elo mais fraco da corrente — não sejam preteridos em favor da monocultura exportadora.
A urgência desse debate é sustentada pelos números alarmantes do último relatório do Instituto de Gestão das Águas do RN (IGARN). Em janeiro de 2026, as reservas hídricas totais do estado caíram para 36,7%, um declínio acentuado em comparação aos mais de 60% registrados no fim de 2024. Mas é no Seridó onde a “ferida” é mais exposta. A região concentra o quadro mais crítico do estado, com apenas 14% de sua capacidade total de armazenamento.
Reservatórios que deveriam ser pulmões hídricos estão hoje em “respiração artificial:
1) Açude Itans (Caicó): Praticamente zerado (0,00%), um deserto de lama onde antes havia vida;
2) Passagens das Traíras (São José do Seridó): Operando com ínfimos 0,03%, incapaz de atender qualquer demanda produtiva;
3) Barragem de Oiticica (Jucurutu): Embora estratégica e recém-integrada, acumula apenas 14,8% de seu volume; e
4) Gargalheiras (Acari): O “véu de noiva” do Seridó resiste com menos de 48%, volume que escoa rapidamente sob o sol inclemente.
Diante deste mapa da escassez, a transposição não pode ser apenas uma obra de engenharia; ela precisa ser uma ferramenta de reparação histórica. No momento em que o solo racha e a economia rural do Seridó definha, a pergunta que fica para os gestores é: as águas do São Francisco servirão para ressuscitar o pequeno pasto e o açude da comunidade, ou serão canalizadas apenas para onde o capital fala mais alto?
A situação é urgente e não admite a lentidão da burocracia ou o desvio de finalidade. O Rio Grande do Norte tem sede, mas também tem fome de justiça hídrica. É preciso que a água, ao molhar a terra potiguar, lave também a mancha da desigualdade que historicamente condena o pequeno sertanejo ao esquecimento.
CONSIGNADOS
Um dos assuntos que serviu de pauta na Assembleia Legislativa na sessão de ontem, foi a falta de pagamento dos empréstimos consignados da parte do governo do estado aos bancos.
CONSIGNADOS 2
O autor da discussão foi o deputado Gustavo Carvalho (PL) que recebeu endosso do seu colega Luiz Eduardo (PL). Ambos criticaram a decisão do governo do estado em não fazer repasse dos descontos aos bancos. Segundo se tem conhecimento, há cerca de 6 meses que a gestão estadual não faz repasse dos consignados ao Banco do Brasil.
MARKETING
Todos já sabem que o prefeito mossoroense Alysson Bezerra é um excelente usuário das redes sociais. Sabe utilizar em seu favor, como ninguém. Aliás, ele é especialista. E é utilizando as redes sociais e mais encontros com políticos que com visibilidade, que Alysson tem tentado a todo custo recuperar o “estrago” que a Policia Federal fez à sua imagem.
PESQUISA
Até o momento, nenhuma pesquisa eleitoral foi registrada depois do dia 27 de janeiro, data em que a PF esteve “visitando” Alysson em sua residência e de quebra levou o seu celular, seu notebook e mais 2 HDs.
PESQUISA 2
Qualquer pesquisa eleitoral que venha a ser feita depois de 27 de janeiro poderá detectar o humor do eleitorado norte-rio-grandense em relação ao estrago na imagem de Alysson causado pela ação da Policia Federal.

