GUILHERME, O TERTIUS?
O cenário político do Rio Grande do Norte, conhecido por suas reviravoltas de última hora, atravessa um momento de rara complexidade técnica e emocional. O que parecia um caminho pavimentado para a sucessão natural transformou-se em um tabuleiro de xadrez onde cada movimento pode selar o destino das eleições de 2026.
A decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir a cadeira de Fátima Bezerra (PT) em abril — optando por disputar uma vaga na Assembleia Legislativa (ALRN) e se tornar um “puxador de votos” — desestabilizou o cronograma governista. Sem o vice para assumir, o Rio Grande do Norte caminha para uma inédita eleição indireta, um terreno onde o governo atual encontra-se em uma posição de vulnerabilidade numérica.
Nos bastidores do Centro Administrativo, o “plano A” — a candidatura de Fátima ao Senado — começa a ser visto como um risco alto demais. A leitura é pragmática: o bloco governista teme não possuir os votos necessários na ALRN para eleger um sucessor de confiança, como o deputado Francisco do PT ou o pré-candidato Cadu Xavier. Diante da ameaça de uma “derrota avassaladora” imposta por uma oposição que dá sinais de união rara para derrotar o sistema petista, Fátima Bezerra já cogita o sacrifício pessoal. Permanecer no cargo até dezembro garante a continuidade da gestão, mas enterra, por ora, o sonho da cadeira na Câmara Alta.
Contudo, um nome surge como o “ponto de equilíbrio” capaz de pacificar as alas em conflito: Guilherme Saldanha. O atual secretário de Agricultura e Pesca é uma figura sui generis no governo. Técnico respeitado, Saldanha é herança da gestão Robinson Faria e conseguiu a proeza de conquistar a confiança irrestrita de Fátima Bezerra e da cúpula do PT, sem perder o diálogo com as bases conservadoras.
A viabilidade de Saldanha reside em sua capacidade de transitar entre mundos opostos. Ele goza da simpatia da bancada governista pela eficiência na secretaria da Agricultura e mantém relação estreita com o deputado Ezequiel Ferreira de Souza, responsável pela sua indicação para a pasta que ocupa, e peça-chave na coordenação da oposição para composições no pleito indireto.
Para os formadores de opinião, Guilherme seria o nome ideal para uma “gestão-tampão” técnica e pacífica. Ele conhece as entranhas do RN e, acima de tudo, não representa uma ameaça eleitoral direta aos grupos que pretendem polarizar o estado futuramente. Se Saldanha for o nome, Fátima poderá seguir para o Senado com a segurança de que o governo estará em mãos competentes e conciliadoras. Caso contrário, o estado assistirá a uma queda de braço que testará os limites da sobrevivência política de cada grupo.
PRÉ-CAMPANHA
Assessores da pré-campanha de Flávio Bolsonaro para a presidência da República deram um vacilo grande. Publicaram pesquisa, sem o devido registro na justiça eleitoral. A pesquisa, de autoria da consultoria mexicana Áltica Research, trazia um panorama favorável a Flávio no segundo turno.
TRIBUNAL
A suspensão da divulgação da pesquisa em que, segundo a mexicana Áltica Research, Flávio Bolsonaro levava vantagem sobre Lula no segundo turno, foi explicitada pela ministra Carmen Lúcia, do Tribunal Superior Eleitoral – TSE. O motivo? A pesquisa não tinha registro no TSE.
BRILHO
A governadora Fátima Bezerra só vai ler sua mensagem anual na Assembleia Legislativa no próximo dia 10, e por isso não compareceu à abertura dos trabalhos legislativos. Quem brilhou, sem a presença de Fátima, foi o pré-candidato Cadu Xavier (PT), na condição de Secretário Estadual da Fazenda.
TURRÃO
Ontem, na abertura dos trabalhos legislativos, o deputado José Dias (PL) não perdeu a oportunidade e fez críticas ao Governo do Estado em relação ao descumprimento de emendas impositivas e à recente publicação do orçamento.
REPUBLICAÇÃO
Com a reclamação do deputado José Dias sobre erros cometidos no orçamento estadual 2026, o líder do governo, deputado Francisco do PT, assegurou que o erro seria corrigido com a republicação do orçamento. Mas a fala de deputado José Dias seguiu criticando a gestão pela falta de pagamento das emendas impositivas.
ROGÉRIO
Na abertura dos trabalhos legislativos em Brasília, o senador Rogério Marinho (PL) retoma também a publicação do Observatório da Oposição, agora em sua 115ª edição, sempre alfinetando o governo Lula. Papel da oposição.
OBSERVATÓRIO
“O colapso do Banco Master deixou de ser fraude privada e virou um escândalo político-institucional. Encontros fora da agenda, contratos milionários e decisões atípicas expõem um padrão de capacidade de captura do Estado pelo PT”,
ESCÂNDALO
Na chamada de vídeo em que apresenta a 115ª edição do Observatório da Oposição, faz menção a um conluio: “O caso Master e a captura do Estado: como o governo Lula e ministros aliados do STF orbitam o mesmo escândalo”.

