O presidente do Chile, Gabriel Boric, anunciou que seu país apresentou nesta segunda-feira (2), conjuntamente com o Brasil e com o México, a candidatura da ex-presidente Michelle Bachelet para secretária-geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
“Nesta nomeação não estamos sozinhos, a candidatura que foi inscrita na ONU é apresentada conjuntamente com os países irmãos Brasil e México, os dois países mais povoados da América Latina”, disse Boric.
Ao lado de Bachelet, do embaixador brasileiro em Santiago, Paulo Roberto Pacheco, e da embaixadora mexicana Laura Moreno, Boric agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a Claudia Sheinbaum pelo “apoio, a convicção e a coragem” no endosso à Bachelet.
“Essa candidatura expressa uma esperança compartilhada de que a América Latina e o Caribe façam sua voz ser escutada na construção de soluções coletivas para os tremendos desafios do nosso tempo”, disse.
Lula, que defendeu em reiteradas ocasiões o desejo de que a próxima liderança da ONU fosse de uma mulher latino-americana, afirmou na rede social X que o apoio à candidatura de Bachelet é uma “honra”.
“Em oito décadas de história, é hora de a organização finalmente ser comandada por uma mulher”, disse.
Ele também afirmou que a trajetória de Bachelet é marcada pelo pioneirismo, por ter sido a primeira mulher a comandar o Chile e a ocupar os cargos de ministra da Defesa e da Saúde em seu país.
Lula também mencionou o papel “decisivo” de Bachelet na criação e consolidação da ONU Mulheres, e sua atuação como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.
“Sua experiência, liderança e compromisso com o multilateralismo a credenciam para conduzir a ONU, em um contexto internacional marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos”, escreveu.
Duas vezes presidente do Chile (2006-2010 e 2014-2018), Bachelet foi a primeira subsecretária-geral e diretora-executiva da ONU Mulheres, entre 2010 e 2013, e atuou como Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, entre 2018 e 2022.
Em setembro do ano passado, um auxiliar próximo ao presidente Lula já havia dito que o governo brasileiro tinha uma “inclinação forte” a respaldar a candidatura de Bachelet anunciada por Boric.

