AS INCERTEZAS NO XADREZ POLÍTICO DO RN
O cenário político do Rio Grande do Norte para 2026 assemelha-se a uma partida de xadrez onde os principais jogadores hesitam em mover suas peças. O que antes parecia um roteiro definido — a desincompatibilização da governadora Fátima Bezerra (PT) para disputar o Senado — agora ganha contornos de incerteza, alimentados por cálculos de sobrevivência partidária e reviravoltas jurídicas.
Tradicionalmente, a saída de Fátima em abril de 2026 abriria caminho para o vice-governador Walter Alves (MDB). No entanto, o desenho atual aponta para uma vacância incomum: Walter já sinalizou que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa (ALRN), e o presidente da Casa, Ezequiel Ferreira (PSDB), foca em renovar seu próprio mandato.
Caso governadora e vice renunciem, a Constituição Estadual prevê uma eleição indireta realizada pela ALRN. É aqui que o pragmatismo petista acende o sinal amarelo: sem maioria consolidada no Legislativo, o PT teme entregar o comando do Estado a um adversário meses antes da eleição geral, o que comprometeria o controle da máquina pública no ano eleitoral.
O leque de nomes para um mandato-tampão de nove meses se estreita entre as lideranças que permanecem na Casa ou no primeiro escalão: 1) Francisco do PT: Como líder do governo na ALRN, é o nome natural para tentar manter a continuidade da gestão petista. Sua eleição, contudo, dependeria de uma costura política hercúlea para convencer a bancada de oposição e o bloco independente; 2) Kleber Rodrigues (PSDB): Com a saída de nomes tradicionais e a postura de Ezequiel focada na reeleição, Kleber surge como uma figura de articulação que transita bem entre diferentes blocos, podendo figurar como um nome de consenso para uma transição pacífica; 3) Cadu Xavier (PT): O atual Secretário da Fazenda segue como a opção técnica. Sua escolha visaria garantir a saúde fiscal e a continuidade de obras e pagamentos de servidores, funcionando como um “gestor de transição” sem pretensões eleitorais imediatas para o Executivo; e 4) Tomba Farias (PSDB): Representando a ala mais combativa da oposição, Tomba seria o nome para uma ruptura. Se a oposição decidir tomar as rédeas do Estado para enfraquecer o palanque governista, seu nome ganha peso por sua experiência e influência na Casa.
Enquanto o governismo recalcula a rota, a oposição enfrenta suas próprias turbulências. O prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra (União Brasil), que lidera as pesquisas para o Governo, viu seu favoritismo ser confrontado por desdobramentos de investigações da Polícia Federal.
Embora Alysson mantenha popularidade, o desgaste jurídico cria uma “janela de oportunidade” para o PT. Rumores indicam que Fátima Bezerra pode desistir do Senado para permanecer no cargo. O raciocínio é estratégico: se Alysson for impedido ou enfraquecido, e o PT não tiver garantias de vitória na eleição indireta na ALRN, a permanência de Fátima torna-se a única forma segura de manter o controle do Estado e evitar que o governo caia nas mãos da oposição antes do pleito de outubro.
O Rio Grande do Norte assiste a um jogo de espera. Se Fátima sair, o estado poderá ter um governador “tampão” eleito por deputados. Se ficar, a disputa pelo Senado ganha maior competitividade na pessoa de Natália Bonavides e o PT preserva a governabilidade. No centro de tudo, as decisões da Policia Federal e as articulações na ALRN dão o tom da eleição mais imprevisível das últimas décadas no Rio Grande do Norte.
MUDANÇAS
Caso a governadora Fátima Bezerra (PT) se decida a sacrificar sua candidatura ao Senado e permanecer à frente do governo estadual, haverá mudanças substanciais no cenário da política envolvendo a esquerda ideológica.
RENÚNCIA
Ao renunciar sua candidatura ao Senado Federal, Fátima Bezerra trás para o centro das atenções o nome da deputada federal Natália Bonavides (PT) para a disputa de uma das vagas na Câmara Alta, com possibilidade real de eleição. Natália ainda tem o recall de sua candidatura à Prefeitura de Natal.
DESFALQUE
Ao consolidar a decisão do PT em substituir Fátima por Natália na corrida ao Senado, o partido poderá desfalcar a nominata de deputado federal.
CAMPEÃ
Na nominata da Federação da Esperança (PT/PV/PC do B) a perspectiva de aumentar o número de cadeiras na Câmara Federal de 2 para 4 cai por terra na saída de Natália Bonavides para disputar o Senado. Na nominata da Federação.
NOMINATA
Na formação da nominata da Federação da Esperança, o nome de Natália Bonavides figurava como a campeão de votos, quando existia a expectativa de que ela atingisse 200 mil votos na próxima eleição. A votação de Natália e Mineiro ajudaria a eleger um terceiro ou até quarto nome na nominata de deputado federal.

