ENTRE SALAS ESPECIAIS E A PAPUDA: A ISONOMIA EM XEQUE
O Brasil testemunha um fenômeno raro em democracias estáveis: a sucessiva prestação de contas de seus ex-mandatários perante a Justiça. A análise das prisões de Luiz Inácio Lula da Silva, Jair Messias Bolsonaro e Fernando Collor de Mello — este último recentemente transferido para o regime domiciliar — oferece um painel complexo sobre crimes, condições de custódia e a saúde das nossas instituições.
Em 2018, Luiz Inácio Lula da Silva foi o centro das atenções ao cumprir 580 dias de prisão na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Condenado no âmbito da Operação Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no esquema do “Petrolão”, Lula gozava de plena saúde. Sua cela era, na verdade, uma “sala especial” com prerrogativas legais que incluíam esteira ergométrica e um fluxo constante de visitas políticas. O debate da época girava em torno da moralidade administrativa e do uso de estatais para a manutenção de projetos de poder, que sempre foi o objetivo de Lula e do Partido dos Trabalhadores (PT).
O cenário de Jair Messias Bolsonaro é distinto em natureza e rigor. Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, o crime que o levou ao cárcere não foi financeiro, mas institucional: a tentativa de golpe contra a democracia. Após um período em prisão domiciliar, Bolsonaro foi transferido para a sede da Polícia Federal e, posteriormente, para o sistema prisional da “Papudinha”.
Diferente de seu antecessor, Bolsonaro enfrenta o cárcere com a saúde combalida, o que levanta discussões sobre os limites da execução penal e o tratamento humanitário a ex-chefes de Estado em condições de fragilidade física.
Recentemente, o trio de ex-presidentes sentenciados completou-se com Fernando Collor de Mello. Condenado pelo STF a 8 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro — também em desdobramentos da Lava Jato envolvendo a BR Distribuidora —, Collor chegou a ser recolhido ao sistema prisional em Maceió. No entanto, devido ao diagnóstico de Parkinson e outras comorbidades graves, a Justiça concedeu-lhe a prisão domiciliar humanitária em 2025.
Collor, que um dia foi o “caçador de marajás”, agora cumpre sua pena com monitoramento eletrônico e severas restrições de convívio, simbolizando o ocaso de uma era política.
A comparação é inevitável. Enquanto Lula teve suas condenações anuladas por questões processuais, Bolsonaro e Collor enfrentam o peso de sentenças que parecem definitivas.
O que resta para a reflexão do leitor é o equilíbrio entre a justiça e a dignidade humana. A lei deve ser cega, mas o sistema prisional não pode ignorar a saúde do apenado, seja ele um cidadão comum ou um ex-presidente. A história brasileira está sendo escrita nas celas e nas salas de monitoramento, provando que, embora tardia, a responsabilidade sobre o exercício do poder é um fardo do qual ninguém está isento.
XADREZ
O tabuleiro de xadrez da política tupiniquim movimentou as pedras com evidências de xeque-mate. Finalmente, o vice-governador Walter Alves (MDB) comunicou à governadora Fátima Bezerra (PT) a decisão em não assumir o governo no caso de renúncia da titular para se candidatar ao Senado Federal.
DECISÃO
O vice-governador Walter Alves não só comunicou a decisão de não assumir o cargo no caso de vacância, mas também anunciou que é candidatíssimo a deputado estadual, e para isso via tentar fazer uma nominata forte para que o seu partido viabilize uma grande bancada na Assembleia Legislativa.
APOIO
Ao anunciar que não assume o governo e que será candidato a deputado estadual, o vice-governador não esperou por outra oportunidade e também levou ao conhecimento da governadora Fátima e do PT que irá apoiar a candidatura a governador de um de seus adversários políticos, que é o prefeito Alysson Bezerra, da União Progressista.
PT
Esse posicionamento de Walter já vem sendo “cantado” em verso e prosa desde o mês de outubro passado e nem assim a governadora Fátima Bezerra e membros do diretório estadual do PT se mobilizaram para investir na tentativa de demover a decisão do vice-governador.
APOSTA
Tanto assessores de Fátima como membros do Partido dos Trabalhadores preferiram ver o “circo pegar fogo” acreditando, certamente, que haveria alternativas menos danosas que perder o apoio do MDB, que conta com cerca de 40 prefeitos potiguares e centenas de vereadores.
PERDA
Assim, de uma só vez, a governadora Fátima Bezerra e o PT perdem dois de seus maiores aliados políticos; o vice-governador Walter Alves e o presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Ezequiel Ferreira de Souza.
PERDA 2
Walter e Ezequiel que politicamente eram ligados quase que umbilicalmente, estarão divididos nas próximas eleições. Ezequiel não apoiará, por hipótese alguma, a candidatura de Alysson ao governo do estado.

