A DISPUTA DO MANDATO TAMPÃO
O cenário político do Rio Grande do Norte caminha para um desfecho de alta voltagem em maio. A iminente desincompatibilização da governadora Fátima Bezerra (PT), no princípio do mês de abril para disputar o Senado abre um vácuo no poder que pode desencadear um efeito dominó sem precedentes. Com as prováveis renúncias do vice-governador Walter Alves (MDB) e do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB) — ambos focados em seus projetos para 2026 —, o estado se vê diante de uma encruzilhada jurídica e política sobre quem assumirá o comando do Centro Administrativo em um mandato “tampão”.
Embora o senso comum aponte para uma eleição indireta, o debate jurídico ganha contornos acadêmicos relevantes. Segundo o professor Fabiano Mendonça, da UFRN, a Constituição Federal não especifica tacitamente que a escolha para esse curto período deva ser obrigatoriamente indireta. No entanto, o peso do costume político e as movimentações nos bastidores da Assembleia Legislativa (ALRN) já sinalizam que o rito será decidido “dentro de casa”. É a política real se antecipando à letra fria da lei, consolidando uma prática que já se anuncia nos corredores do poder.
No tabuleiro do jogo político, a governadora Fátima Bezerra tentará articular uma sucessão controlada. O nome de Cadu Xavier, atual Secretário de Fazenda, surge como a aposta do governo para o mandato tampão. A estratégia é técnica: manter a máquina pública sob influência do PT, garantindo estabilidade e capilaridade para o projeto sucessório.
Contudo, fazer previsões neste momento é uma tarefa hercúlea. Em maio próximo, quando deverá ocorrer a eleição no plenário da Assembleia Legislativa, os 24 deputados estaduais estarão sob intensa pressão e divididos em três blocos de influência que podem implodir a unidade governista: 1) A base governista, tentando manter a coesão em torno de Cadu Xavier para dar continuidade à gestão Fátima; 2) A oposição da direita, liderada pelo PL do senador Rogério Marinho, que possui poder de fogo para articular uma candidatura alternativa e impor uma derrota simbólica ao PT; 3) O fator Alysson Bezerra, pois se a candidatura do prefeito de Mossoró ao governo se consolidar, ele poderá atrair deputados independentes, fragmentando a base aliada e tornando-se o fiel da balança.
A governabilidade do RN nos meses que antecedem o pleito de 2026 depende da habilidade de Fátima em negociar com uma Assembleia fragmentada. Se Cadu Xavier não conseguir contar com a maioria dos 24 parlamentares, o estado poderá ver uma ascensão surpreendente de um nome de consenso legislativo. O “abril das renúncias” promete não apenas mudar os nomes nas portas dos gabinetes, mas redefinir as alianças que ditarão o ritmo do Rio Grande do Norte nos próximos anos.
APOSENTADOS
E mais uma vez o governo Lula deixou aposentados e pensionistas a “ver navios” na hora de conceder o aumento nos proventos. Enquanto a inflação apontou para o percentual de 4,06%, o índice de reajuste de aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo ficou em 3,9%. De grão em grão, dependentes do INSS vão constatando o esvaziamento de seus proventos.
OLIGARQUIA
O publicitário e marketeiro político João Maria Medeiros foi cirúrgico ao analisar o comportamento do outro Alysson. João fala de como Alysson Bezerra se comportou na primeira eleição em que derrotou a ex-governadora Rosalba Ciarlini na disputa pelo Palácio da Resistência.
Era enfático, taxando Rosalba de pertencer a uma oligarquia política.
OLIGARQUIA 2
Cumpriu o primeiro mandato à frente da Prefeitura de Mossoró, sagrou-se fenômeno ao alcançar quase 100 mil votos na sua reeleição e logo tratou de virar a casaca. Ou seja, Alysson começou a montar a sua oligarquia, tendo como espelho a oligarquia Maia, a quem está vinculado partidariamente.
OLIGARQUIA 3
Em seu artigo, o publicitário João Maria Medeiros, mostra que Alysson se elegeu como menino pobre do sertão, mas agora, espelhado no ex-senador José Agripino Maia, começou a montar a sua oligarquia elegendo um primo como seu vice-prefeito e lançando, agora, sua esposa Chíntia Pinheiro como candidata a deputada estadual.
OLIGARQUIA 4
Para completar, pavimentando sua candidatura ao governo do estado, Alysson deverá receber também o apoio de outro oligarca que é o vice-governador Walter Alves. As oligarquias Maia e Alves estarão apoiando a candidatura de Alysson Bezerra. Ele aprendeu rapidamente a conviver com oligarquias.
SEPARADOS
Unidos como unha e cutícula desde a eleição de 2022, o vice-governador Walter Alves e o presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel Ferreira de Souza estão se separando e vão atuar em campos diferentes na eleição de outubro próximo.
SEPARADOS 2
No momento, Ezequiel Ferreira, que tem um grande capital eleitoral está conversando com o senador Rogério Marinho, enquanto que o vice-governador Walter Alves está cada vez mais próximo do governadorável Alysson Bezerra.

