A POLARIZAÇÃO APROFUNDADA
A arena política brasileira atual assemelha-se a um campo de batalha, rigidamente dividido entre dois polos irreconciliáveis: a esquerda e a direita. Essa polarização radical, que se acentuou nos últimos ciclos eleitorais, transformou o cenário em um embate de identidades e valores, com pouca ou nenhuma margem para o surgimento e sucesso de uma via de centro capaz de romper o ciclo vicioso do maniqueísmo.
De um lado, a esquerda se ancora na figura histórica do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo capital eleitoral se mantém robusto, tornando-o o nome mais viável para a consolidação de vitórias. No entanto, o projeto do Partido dos Trabalhadores (PT) e de seu líder é, consistentemente, criticado por ser, essencialmente, um Projeto de Poder em vez de um Projeto de Desenvolvimento Nacional de longo prazo. A ênfase recai sobre a distribuição de renda e a inclusão social imediata—aspectos inegavelmente cruciais—, mas que frequentemente parecem dissociados de uma visão clara e abrangente para a transformação estrutural e o crescimento sustentável da economia brasileira.
Do outro lado, a direita, apesar de demonstrar força eleitoral em certos recortes, apresenta-se fragmentada e, igualmente, carente de uma proposta desenvolvimentista coesa e ambiciosa para o país. Muitos de seus representantes gravitam em torno de pautas ultraliberais ou de costumes, priorizando o ajuste fiscal, as reformas microeconômicas e o corte de gastos, mas sem articular um plano macroeconômico que aponte para a reindustrialização, a inovação ou a superação das crônicas mazelas estruturais. A direita mais radical, em particular, foca na defesa de uma agenda cultural e identitária, relegando as discussões sobre o futuro econômico do Brasil a um segundo plano, ou limitando-as a uma simples abertura irrestrita ao mercado.
O resultado dessa dinâmica é um cenário onde a disputa é intensa, mas o debate sobre o futuro do Brasil é superficial. Os dois principais polos se concentram em garantir a própria sobrevivência e a hegemonia política, utilizando-se da paixão e da rejeição mútua dos eleitores como principal motor. A consequência é que o país se move ciclicamente, alternando o poder sem, contudo, encontrar uma bússola que o guie para além do próximo pleito. O verdadeiro desafio do Brasil, hoje, não é apenas eleger um lado, mas forçar a classe política a apresentar e debater projetos estratégicos e desenvolvimentistas que transcendam as urgências do poder e as conveniências eleitorais. A nação aguarda por uma liderança que consiga transformar a visão de futuro em algo mais tangível do que a mera alternância de siglas.
PENSAR
Existe um movimento articulado por professores e profissionais liberais que se denomina de PENSAR O RN. O grupo renega a pecha de ideologia única de esquerda. O movimento é abrangente. O objetivo é, realmente, pensar o desenvolvimento do RN.
JEAN-PAUL
Todos já sabem que o ex-senador Jean-Paul Prates, ex-PT, terá como destino partidário o PDT – Partido Democrático Brasileiro, fundado por Leonel Brizola. Aqui no RN, o PDT é dirigido pela ex-deputada Márcia Maia. Jean deve estar assinando sua filiação na próxima sexta-feira.
FUTURO
Até aí, tudo bem. Jean-Paul sai do Partido dos Trabalhadores – PT, falando que não teve espaço e agora assume o PDT, com anuência do Diretório Nacional. Mas qual é o destino político de Jean-Paul. Qual a candidatura que ele vai abraçar? Eis a questão.
FUTURO 2
O ex-senador Jean-Paul Prates – que fez um trabalho brilhante no Senado – teria chances suficientes de chegar à Câmara dos Deputados, caso ocupasse uma nominata representativa.
Outra possibilidade, é ser a segunda opção para o Senado Federal, com difícil possibilidade de eleição, na chapa do PT, que teria Fátima Bezerra como principal candidata.
DISPUTA
Ao disputar uma das 8 vagas na Câmara dos Deputados, Jean-Paul representaria um segmento importante para a economia do Rio Grande do Norte, levando em consideração também seus comprometimentos com setores potiguares, ao mesmo tempo em que pavimentaria sua carreira política para voos mais ousados.
BASTIDORES
O silêncio sepulcral do presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, deputado Ezequiel Ferreira de Souza, tem deixado a governadora Fátima Bezerra (PT) de “orelha em pé”. Ou seja, aguardando, dia após dia, alguma surpresa desagradável.
FIDELIDADE
Ezequiel tem história de fidelidade com Fátima, desde 2022, e ela sabe disso. Naquela oportunidade, o “cavalo passou selado” na frente de Ezequiel, mas ele se manteve fiel e manteve o seu apoio à reeleição da petista.
FIDELIDADE 2
Naquela eleição, Ezequiel e Walter Alves já se consideravam “unha e cutícula” na política potiguar e continua até hoje. No momento, Ezequiel continua silente, enquanto que Walter não tem se encontrado com a governadora Fátima Bezerra, desde que anunciou a possibilidade de não assumir o governo em abril próximo.

