NOVO REVÉS NA VIDA DOS BOLSONAROS
A conversão da prisão domiciliar d e Jair Messias Bolsonaro em preventiva, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), mais do que um revés pessoal, se configura como um verdadeiro abalo sísmico na estrutura política do clã. A decisão do ministro não se sustentou em mera “perseguição política”, como parte da base insiste em bradar, mas em fatos objetivos, a começar pela confissão do próprio ex-presidente de que tentou alterar o funcionamento da tornozeleira eletrônica.
A retórica da perseguição, contudo, deve ser analisada com cautela, especialmente após a prisão ser ventilada para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos organizadores do ato religioso em frente à residência do pai. O movimento, que visava a solidariedade, acabou por acentuar o risco de desordem e forneceu elementos para o recrudescimento da medida judicial.
Com o pai alijado, o clã se vê na obrigação de redistribuir o capital político, e é aí que a coisa desanda. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), visto como a principal aposta para herdar o espólio político, tem se mostrado um autêntico desarticulador. Suas recentes atitudes, sobretudo as viagens e declarações nos Estados Unidos que geraram crises diplomáticas, ironicamente serviram de munição para a recuperação da popularidade do Presidente Lula. Suas “brigas” públicas com figuras ascendentes do bolsonarismo, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) – a quem ele descarta como preferido do bolsonarismo por conta de sua articulação de entendimento com ministros do STF – e o deputado Níkolas Ferreira (PL-MG), revelam uma dificuldade clara em construir pontes e alianças, um erro capital em política.
O senador Flávio Bolsonaro surge como uma alternativa mais madura para tentar herdar o voto do pai, capitalizando o apelo ao conservadorismo e a bandeira da “perseguição”, mas o senador está com seu horizonte nublado pelas investigações e pela ameaça judicial.
Já o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL-RJ), historicamente um pivô de ruídos internos, reforça sua fama de desarticulador ao anunciar a transferência do seu título para Santa Catarina.
A manobra, visando disputar uma vaga no Senado, gera insatisfação na base catarinense, fragmentando espaços e reforçando a imagem de que a família está mais preocupada em garantir um cargo para si do que em fortalecer o movimento como um todo.
A prisão de Jair Bolsonaro expõe, de forma cristalina, a fragilidade orgânica do movimento bolsonarista. Sem o líder em atividade e com seus herdeiros diretos envolvidos em erros de cálculo e desarticulações internas, o vácuo se abre, o que pode impulsionar novas lideranças à direita. O desafio agora não é apenas recorrer da prisão, mas encontrar uma coesão interna que, historicamente, o clã nunca demonstrou ter.
JEAN-PAUL
Finalmente, o ex-senador e ex-presidente da Petrobras, Jean-Paul Prates deixou o Partido dos Trabalhadores (PT), mas não irá interromper a sua carreira política.
CARREIRA
Após sua participação na gestão estadual de Wilma de Faria, Jean-Paul se dedicou à vida empresarial e se tornou responsável por trazer grupos investidores na área de energia eólica e a seguir se decidiu por entrar na política, optando pelo Partido dos Trabalhadores.
DISPUTA
Sua primeira disputa foi a condição de suplente de Senador, na chapa encabeçada pela então deputada federal Fátima Bezerra (PT). Jean-Paul abriu caminhos para que a petista recebesse o apoio de considerável parte do empresariado. Fátima eleita Senadora, Jean seguiu como seu suplente até que assumiu a titularidade com a eleição dela para o Governo do Estado, em 2018.
ATUAÇÃO
Durante os quatro anos de mandato no Senado Federal, Jean-Paul Prates teve um desempenho elogiado, inclusive como relator de matérias importantes. Mesmo assim, na eleição de 2022, quando deveria disputar sua reeleição, ele foi sacrificado em nome de uma composição política com Caros Eduardo Alves (então PDT).
PETROBRAS
Com a derrota de Carlos Eduardo pelo hoje senador Rogério Marinho (PL), Jean-Paul foi convidado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a presidência da Petrobras, que é considerada uma das maiores estatais do mundo.
RECORDE
Apesar de conhecedor profundo do setor petrolífero e de exercer tecnicamente a presidência da maior estatal, Jean-Paul durou pouco mais de 1 ano e três meses no cargo. Foi boicotado pelos ministros Alexandre Silveira, de Minas e Energia e por Rui Costa, Chefe da Casa Civil. Nenhum petista potiguar saiu em defesa da permanência de Jean.
INDEFINIDO
Jean Paul tem confidenciado que pretende disputar cargo eletivo nas eleições de 2026, mas ainda não se definiu qual a agremiação partidária que irá optar. Poderá disputar uma das 8 vagas de deputado federal ou tentar voltar a ocupar uma das duas vagas do RN no Senado Federal.

