O ex-banqueiro Daniel Vorcaro chegou a ficar três dias trancado em uma cela, sem ouvir a voz humana, no período anterior à sua decisão definitiva de partir para a delação premiada. E 13 dias sem tomar banho de sol.
Transferido no dia 6 de março para a penitenciária federal de Brasília, de segurança máxima, ele foi levado para uma unidade de isolamento, onde todos os que entram no sistema ficam por até 20 dias.
Durante a semana, podia sair por duas horas para o banho de sol —porém, no local em que estava não batia a luz, e ele permanecia na cela.
As visitas de advogados eram diárias, mas limitadas a uma hora com cada profissional —momento em que ele também podia conversar.
Por volta das 17 horas da sexta, no entanto, ele foi levado para a cela, de 9m2 —e de lá só saiu na manhã da segunda-feira.
Nas 70 horas em que ficou em isolamento total, sequer o ruído dos carcereiros o ex-banqueiro conseguia escutar. Os que entregavam as refeições a ele permaneciam em absoluto silêncio e fora do alcance de sua visão.
Ao voltar a se encontrar com um de seus advogados, na segunda, ele disse, abalado: “É a primeira vez que ouço a voz humana”.
O UOL revelou também que, por três noites, ele dormiu com a luz da cela acesa. O presídio alegou que isso era necessário para vigiá-lo por 24 horas, evitando que ele tentasse tirar a própria vida.
Na quinta (19), Vorcaro foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal de Brasília, onde terá maior liberdade de diálogo com os advogados e poderá organizar a sua proposta de delação premiada que poderá abrir para ele mais cedo as portas da prisão.
*Com informações de Folha de São Paulo

