O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, escreveu em conversas por aplicativo com a namorada, Martha Graeff, que estava “sofrendo uma extorsão bem chata” durante viagem a Brasília (DF).
Os diálogos foram interceptados pela Polícia Federal (PF) a partir da quebra de sigilo telemático de Vorcaro. Nas conversas, o banqueiro chegou a dizer para a companheira que era “difícil se abalar” e ficar “pra baixo” com esse tipo de situação, mas que essa extorsão em particular teria sido “f***”. As informações são do Pleno News.
Em mensagem para Martha, Vorcaro escreveu:
– Hoje foi um dia péssimo pra mim (sic). Essa foto salvou meu dia. Obrigado.
A namorada, então, perguntou o que havia acontecido:
– Por quê??? O que aconteceu?
– Nada demais. Depois te conto – respondeu o dono do Master.
Ao que ela disse: “Ta bom”.
Ele continuou:
– Sofrendo uma extorsão bem chata.
Martha replicou com um emoji de surpresa e questionou:
– Amor, mas de quem?
Ele prosseguiu:
– Difícil me abalar e jogar pra baixo. Mas essa foi f***.
Apesar do questionamento da namorada, Vorcaro não revelou quem teria sido o autor da extorsão. Os diálogos ocorreram por volta das 22h do dia 9 de abril de 2024. No dia 11 daquele mês e ano, o banqueiro relatou à companheira que esteve em Brasília nos dois dias anteriores.
A Polícia Federal prendeu Vorcaro na última quarta-feira (4), na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco.
Essa nova fase investiga a invasão de dispositivos informáticos praticada por uma organização criminosa ligada a Vorcaro e outros aliados dele, conforme a PF. Também estão sob apuração os crimes de ameaça, corrupção e lavagem de dinheiro.
A defesa de Vorcaro afirmou que o banqueiro colaborou “de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.
Pessoas com acesso ao caso, que está sob sigilo, atestam que a apuração chegou a mais de uma autoridade com direito a foro especial no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante da amplitude das descobertas, investigadores não descartam que suspeitos tentem fechar acordos de delação premiada.
A legislação sobre a colaboração premiada impede o líder de uma organização criminosa de fechar acordo. No entanto, investigadores colocam em dúvida que Vorcaro tenha essa posição no esquema do Master. Portanto, deixam em aberto a possibilidade de serem procurados pela defesa do banqueiro.

