Por Fernanda Sabino
Presentear com ovos de chocolate na Páscoa é um costume que atravessa gerações e culturas. A tradição remonta a povos antigos, como persas e egípcios, que já trocavam ovos como símbolo de renovação e fertilidade. Com o passar do tempo, o Cristianismo incorporou o gesto como representação da ressurreição de Cristo, em que a casca simboliza o túmulo e o interior, a vida nova. No século XIX, confeiteiros franceses transformaram o costume ao substituir os ovos decorados pelos primeiros ovos de chocolate, prática que se popularizou e se tornou um fenômeno comercial global.
Hoje, além de simbolizar união e partilha entre familiares e amigos, a data também movimenta o comércio. Em Natal, a expectativa é de forte circulação de consumidores nos próximos dias.
Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que os ovos de chocolate industrializados lideram a preferência dos consumidores, com 56% das intenções de compra, seguidos pelos bombons, com 50%, e pelas barras de chocolate, com 39%. Produtos artesanais também ganham espaço, com 40% de intenção de compra para ovos e 32% para bombons e barras.
A pesquisa indica ainda que 95% dos consumidores devem realizar as compras em lojas físicas, principalmente em supermercados, citados por 62% dos entrevistados, e em lojas especializadas, mencionadas por 44%. O gasto médio estimado é de R$ 253 por consumidor, com a compra de cerca de cinco itens.
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL Natal), José Lucena, o cenário é positivo para o comércio local. Ele afirma que a capital potiguar acompanha a tendência nacional de crescimento do consumo nesta época do ano.
Comércio local otimista

“A CDL projeta um cenário positivo em Natal, alinhado ao movimento nacional de crescimento do consumo. No Brasil, a expectativa é de 106,8 milhões de consumidores indo às compras e, proporcionalmente, a capital potiguar pode ter algo entre 450 mil e 500 mil pessoas consumindo no período, o que reforça o potencial de aquecimento do varejo local”, afirma.
Segundo ele, o interesse pela data já pode ser percebido também no ambiente digital.
“Levantamentos baseados no Google Trends indicam que, desde a semana passada, há uma curva crescente nas buscas por ‘ovos de Páscoa’, mostrando aumento claro no interesse do consumidor à medida que a data se aproxima”, observa.
Lucena acrescenta que o perfil dessas pesquisas revela um consumidor mais atento e planejado.
“O consumidor não está pesquisando apenas o produto genérico, mas também marcas específicas, tipos de produtos, como tradicionais, gourmet ou artesanais, além de opções de preço e promoções”, ressalta, acrescentando que a movimentação tende a se intensificar nos dias que antecedem a Páscoa.
No varejo local, a expectativa também é de aumento nas vendas, ainda que de forma moderada. O gerente comercial de uma rede de docerias da capital, Cleber Espírito, afirma que a estratégia tem sido apostar na criatividade para atrair o consumidor.
“Esperamos um leve crescimento em relação ao ano passado. Temos percebido que o consumidor quer continuar presenteando, mas se não comprar o ovo, ele leva um chocolate que não comprometa o orçamento”, afirma.
De acordo com ele, as mudanças no mercado após a pandemia também influenciaram o comportamento de compra. “A sazonalidade da Páscoa foi a que mais mudou nos últimos anos.
As indústrias reduziram muito o volume produzido de ovos de Páscoa e, por isso, buscamos soluções mais criativas”, explica.
Uma das alternativas encontradas foi a oferta de kits personalizados. “Aqui na Docelândia, criamos kits em que o cliente pode escolher os chocolates de acordo com o gosto de quem vai receber o presente. Tem gente que prefere chocolate branco, outros com maior teor de cacau ou com menos açúcar. A personalização permite montar um presente bonito e dentro do orçamento”, destaca.
Além das grandes redes, a produção artesanal também ganha espaço no período. A confeiteira Jacyane Macedo observa que, nos últimos anos, a procura por chocolates na Páscoa permanece alta, mas com mudanças no perfil do consumidor.
“Tenho percebido que, nos últimos três anos, a procura por chocolates para a Páscoa continua pujante. O que mudou foi a preferência por porções cada vez menores”, afirma.
Segundo ela, o diferencial do produto artesanal está na variedade e na possibilidade de atender diferentes perfis de consumidores. “Quando o doce é produzido com matéria-prima de qualidade, é possível oferecer uma grande variedade de sabores e formatos, tornando viável a compra de acordo com o orçamento”, explica.
Jacyane também aponta o crescimento de um público que busca opções mais equilibradas. “A geração fitness está exatamente na faixa etária que mais consome chocolates. Pensando nisso, este ano estou oferecendo opções sem açúcar em monoporções”, acrescenta. Para ela, a essência da data permanece a mesma. “Em síntese, a tradição continua, o que mudou foram as escolhas”, conclui.
Procon Natal orienta consumidor a pesquisar antes de comprar
Com a procura por chocolates em alta no período que antecede a Páscoa, o Procon Natal orienta os consumidores a pesquisarem preços e ficarem atentos a detalhes dos produtos antes de efetuar a compra. Levantamento realizado pelo órgão identificou variações significativas nos valores praticados no comércio da capital em comparação ao ano passado.
Segundo a diretora do Procon Natal, Dina Perez, o levantamento apontou variações expressivas entre estabelecimentos da capital.
“O Procon Natal realizou uma pesquisa de ovos de Páscoa e chocolates em virtude da Semana Santa que se aproxima e constatou um aumento de mais de 30% nos preços em comparação ao ano passado, índice também muito superior à inflação registrada no período, que foi de 4,78%”, afirma.
Ela ressalta que a principal recomendação é pesquisar antes de efetuar a compra. “Entre os estabelecimentos analisados nas quatro zonas de Natal, encontramos o mesmo produto com diferença de até R$ 20 no preço”, destaca.
Outra orientação é observar a gramatura e comparar o valor em relação ao peso do produto.
“Muitas vezes, um ovo maior não compensa tanto quanto comprar um de tamanho menor”, explica.
O órgão também sugere considerar a compra com microempreendedores, o que contribui para fortalecer a economia local. Além disso, pesquisar em lojas virtuais pode ajudar a encontrar preços mais competitivos.
Caso o consumidor identifique irregularidades, pode registrar denúncia ou buscar orientação junto ao Procon Natal pelos canais oficiais de atendimento do órgão, na sede localizada na R. Ulisses Caldas, 81, Cidade Alta, Natal, ou por meio da Ouvidoria Geral, pelo telefone (84) 3232-9173.

