Por Fernanda Sabino
O avanço das síndromes respiratórias e os registros recentes de mortes por gripe acendem o alerta das autoridades de saúde no Rio Grande do Norte. Dados do boletim epidemiológico mais recente da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) mostram que, somente em 2026, já foram notificados 349 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no estado. Entre janeiro e março, foram confirmados 18 óbitos por influenza em todo o Rio Grande do Norte, sendo seis deles na Região Metropolitana de Natal.
A análise dos dados revela ainda um impacto maior da doença entre públicos específicos. A distribuição das notificações de SRAG aponta que crianças de até 9 anos concentram 57% dos casos registrados. Já entre os óbitos, a maior incidência ocorre entre idosos, que representam 67% das mortes associadas à síndrome. Diante desse cenário, autoridades de saúde reforçam a importância da vacinação como principal estratégia de prevenção.
A vacina contra a influenza é aplicada anualmente e indicada para pessoas a partir de seis meses de idade. O imunizante é reformulado a cada ano para acompanhar as mutações do vírus e proteger contra as cepas mais circulantes no estado, incluindo H1N1, H3N2 e influenza A e influenza B. Além de reduzir o risco de infecção, a vacinação contribui para evitar complicações mais graves da doença, como hospitalizações e mortes.
A vacina é considerada segura e pode causar apenas reações leves, como dor no local da aplicação, febre baixa ou mal-estar, que costumam desaparecer em até 48 horas. Especialistas reforçam que a imunização continua sendo a forma mais eficaz de reduzir complicações da gripe e proteger a população contra formas graves da doença.
Avanços no RN
No Rio Grande do Norte, a campanha nacional de vacinação teve início em março e segue até o dia 30 de maio. Desde o começo da mobilização, já foram aplicadas 125.430 doses em todo o estado, segundo a Sesap.
A responsável técnica do Programa Estadual de Imunização, Laiane Graziela, destaca o avanço da campanha de vacinação no estado.
“Até o momento, o estado já aplicou 125 mil doses nos grupos prioritários e isso mostra o esforço e compromisso das nossas equipes em todo o território. A campanha começou dia 28 de março e esse resultado é bastante satisfatório para a gente. Tivemos um Dia D fenomenal, com mais de 70 mil doses aplicadas”, explica.
Ela destaca, porém, que a mobilização precisa continuar, especialmente entre os públicos mais vulneráveis à doença.
“Precisamos reforçar a importância de seguir priorizando os públicos mais vulneráveis, principalmente as gestantes, idosos e as crianças menores de seis anos, que são os grupos com maior risco para complicações da gripe. Ainda temos um caminho muito importante pela frente, que é proteger esses grupos e aumentar a nossa cobertura vacinal”, afirma.
Segundo Laiane Graziela, ampliar a vacinação é fundamental para reduzir o impacto da doença no sistema de saúde.
“A ideia é diminuir o número de casos, de internações e de óbitos pela influenza. Para isso, precisamos intensificar as estratégias, ampliar o acesso, fortalecer a busca ativa e aproveitar todas as oportunidades para vacinar”, acrescenta.
Ela também destaca o desempenho do estado no cenário nacional da campanha.
“O Rio Grande do Norte é um dos estados que vem se destacando na campanha da influenza. Até a semana passada estávamos em segundo lugar entre os 27 estados do Brasil com maior cobertura vacinal. A gente agradece às equipes de vacinação e conta com cada município para avançarmos ainda mais”, completa.
Cobertura na capital
Em Natal, a Secretaria Municipal de Saúde também tem adotado estratégias para ampliar a imunização. De acordo com a chefe do Núcleo de Agravos Imunopreveníveis (NAI), Veruska Ramos, a campanha começou priorizando os grupos considerados mais vulneráveis.
“Esse ano a gente montou uma estratégia diferenciada. Na primeira semana intensificamos o público-alvo para priorizar gestantes, crianças e idosos”, explica.
Após esta etapa inicial, outros grupos também passaram a ter acesso à vacina nas unidades de saúde.
“A partir de agora, além desses três grupos, passam a ter direito à vacinação os públicos especiais, como puérperas, população indígena, pessoas em situação de rua, trabalhadores da saúde, professores, profissionais de segurança, pessoas com comorbidades e pessoas com deficiência”, afirma.
Para facilitar o acesso da população, o município mantém pontos extras de vacinação fora do fluxo das unidades básicas de saúde.
“Temos o Midway e o Partage funcionando de segunda a sexta-feira, das 13h às 20h, e também aos sábados, das 10h às 15h. Além disso, oferecemos a vacina na Sesi Clínica, na avenida Prudente de Morais”, detalha.
Segundo Veruska Ramos, a procura pela vacina neste ano tem sido maior em comparação aos anos anteriores.
“A campanha deste ano está mostrando uma efetividade maior e uma busca maior pela população. Ainda não conseguimos precisar a cobertura porque o sistema está passando por atualizações, mas pela procura nas salas de vacina percebemos que o número de doses aplicadas está superior aos dois anos anteriores”, diz.
Ela destaca ainda o impacto positivo do Dia D de vacinação no município.
“No Dia D, mais de 7 mil doses foram aplicadas apenas em Natal. Isso mostra que a campanha deste ano tem potencial para alcançar uma cobertura mais próxima do ideal, que é de 90%”, conclui.

Público-alvo
A campanha de vacinação contra a influenza é destinada a toda a população a partir de seis meses de idade, com foco em grupos prioritários como crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes, idosos com 60 anos ou mais e trabalhadores da saúde. Também integram os grupos prioritários puérperas, professores, povos indígenas, pessoas em situação de rua, profissionais das forças de segurança e salvamento, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, pessoas com doenças crônicas, pessoas com deficiência permanente e populações privadas de liberdade.

