A 3ª exposição individual do artista visual Diego Dionisio, intitulada “Tudo Respira Aqui”, será inaugurada nesta quinta-feira (02), às 19h, no Centro Cultural Margem Hub, localizado na Rua da Sheelita, nº 59, em Lagoa Nova, Natal/RN.
A mostra, que ficará em cartaz até o dia 02 de maio, convida o público a refletir a partir de questões como: “Quantas florestas cabem numa feira, num quintal, numa beira de trilho? E se ignorar isso for o maior projeto colonial ainda em curso?”.
Composta por pinturas, desenhos, gravuras, instalação e vídeo-performance, a exposição emerge das caminhadas do artista por feiras, quintais e beiras de trilhos de trem na zona oeste de Natal, além de comunidades do Agreste potiguar. Segundo Dionisio, esses são territórios onde “a vida insiste e resiste aos colapsos do capitalismo e da colonialidade”.
Diego destaca o racismo ambiental que afeta as periferias, citando a ausência intencional de áreas verdes em bairros como Felipe Camarão. Em face do descaso estatal, as próprias comunidades assumem a iniciativa, plantando árvores nas margens dos trilhos de trem. Essa ação coletiva não só cria sombra e espaços de convivência e cuidado, mas para o artista, representa uma resposta decolonial.

Essa invenção comunitária rejeita a visão moderna de separação e superioridade humana em relação aos outros seres vivos. Conforme Diego, “Esse respirar é um chamamento para a gente coabitar esse lugar que é a terra. É na proximidade, com respeito e com limite, que a gente pode criar outras formas de viver aqui.” O plantio se torna, assim, um ato de resistência e um convite a uma nova forma de coexistência.
A exposição também abrange os municípios de Montanhas e Lagoa de Dentro, localizados na divisa entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba. Durante a infância, Diego ia frequentemente a esses locais com seus avós, em um ritual de cuidado mútuo: juntos, eles zelavam pelos bisavós. Essa vivência foi crucial para moldar seu olhar sobre temas como coletividade, pertencimento e os modos de vida baseados no cuidado entre seres humanos, animais e a natureza.
Grande parte dos trabalhos apresentados na mostra é inspirada nessas comunidades do Agreste, em seus quintais, feiras e nas formas como coabitam a terra.
Essa recusa à separação entre humano e natureza se materializa literalmente em sua produção: o artista fabrica as próprias tintas vegetais — com urucum, couve-folha e açafrão — e as geotintas, elaboradas a partir de solos coletados em diferentes territórios. Com esses materiais, assina séries como “Entre a Quebra e o Respiro” e “Abaixo do Chão, Presenças Inquietantes”, que reúnem pinturas, desenhos e gravuras onde pedras coladas e carvão vegetal dividem espaço com as tintas da terra. A instalação “Atravessar Musgo” completa a mostra com caixas de feira, papel jornal, areia e mudas de PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), uma experiência sensorial e tátil que convida o visitante ao contato direto com a vegetação viva.
A exposição terá acesso gratuito e contará com recursos de acessibilidade com audiodescrição e visita mediada, desenvolvidos pela Dialógica Acessibilidade. Com curadoria e expografia de Sanzia Pinheiro, produção de Paula Lima e do Margem Hub, o projeto foi aprovado no Edital de Fomento às Artes Visuais 09/2024 – PNAB/RN, com realização da Fundação José Augusto, Secretaria Estadual da Cultura e Governo do Estado do RN, e apoio da Política Nacional Aldir Blanc, Ministério da Cultura e Governo Federal.


