A poucas horas de vencer o ultimato que havia dado para o Irã reabrir o estreito de Hormuz, o presidente Donald Trump disse nesta segunda-feira (23) que adiou por cinco dias os ataques à infraestrutura energética que havia prometido fazer caso a teocracia se recusasse a aceitar sua demandas.
Segundo a agência iraniana Mehr, a chancelaria do país disse que Trump só quer ganhar tempo para sua campanha militar e aliviar a pressão no mercado de petróleo, mas confirmou que há “iniciativas para reduzir a tensão”, mas Teerã só aceitará propostas do Estados Unidos diretamente.
A também estatal Press TV disse, baseada em informações anônimas, que não houve contato algo e que a decisão do americano foi um recuo dada à decisão de Teerã de retaliar duramente contra alvos no golfo Pérsico se a ameaça fosse concretizada.
“Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos e o Irã tiveram, ao longo dos dois últimos dias, boas e produtivas conversas acerca da resolução total de nossas hostilidades no Oriente Médio”, afirmou o americano, relatando conversas até aqui desconhecidas.
Assim, Trump, que antes dizia não saber com quem conversar após ter matado boa parte da cúpula iraniana na guerra inciada com Israel há três semana, volta a seu padrão de elevar a pressão e depois esticar ou ignorar prazos —comum no seu manejo das negociações da Guerra da Ucrânia.
Para o Irã, ainda que haja negociações de fato, será uma oportunidade de cantar vitória após o pesado bombardeio a que vem sendo submetido e ainda dizer que TACO (Trump sempre amarela, na sigla do meme em inglês).
Chamando os contatos de “produtivos e detalhados”, o americano determinou a trégua específica dos ataques que não haviam começado. Ele havia ameaçado usinas de energia do Irã a partir do fim do prazo, às 20h13 desta segunda, no horário de Brasília.
O republicano não citou ações contra outros alvos, como instalações militares ou o programa nuclear do país, nem falou se seu parceiro na guerra iniciada há três semanas, Israel, iria participar da suspensão.
Uma série de bombardeios de Estado judeu contra Teerã deixou partes da capital do Irã sem eletricidade na madrugada desta segunda. A energia elétrica começou a cair logo após grandes explosões serem relatadas nos subúrbios da cidade de 9,8 milhões de habitantes.
Ainda assim, os blecautes nas zonas norte, leste e oeste da cidade levaram a especulações de rede social acerca da autoria, com internautas temendo que Trump tivesse cumprido sua ameaça antes do ultimato que emitiu no sábado (21) expirar.
Trump havia dito que ia bombardear usinas de energia do país persa. Até aqui, o governo iraniano não havia reagido além da retórica desafiadora. Como vem fazendo desde que o prazo foi dado, disse numa reunião do seu Conselho de Defesa nesta segunda que irá retaliar se o republicano atacar.
Segundo o órgão, toda a infraestrutura energética de Israel e em torno de bases americanas na região será considerada alvo. Em caso de ataque a ilhas ou à costa do país, disse o conselho, o estreito de Hormuz será fechado e todo o golfo Pérsico será minado.
Hoje já há a suspeita de que trechos da faixa de navegação da via por onde passam 20% do petróleo e do gás natural do mundo tenha minas marítimas implantadas. Os poucos navios que transitam por lá com autorização iraniana, deixando o golfo Pérsico, o fazem por uma rota por águas de Teerã.
Ameaçado, o Irã elevou o tom apostando em mais caos econômico, além de manter seus ataques contra Israel e vizinho do golfo. Na semana passada, quando Tel Aviv bombardeou suas instalações no maior campo de gás natural do mundo, revidou destruindo parte da capacidade de exportação do líder deste mercado, o Qatar.
A tensão acabou reduzida, e o barril do petróleo do tipo Brent chegou a quase US$ 120, fechando a semana em US$ 112. Na abertura do mercado nesta segunda, flutua um pouco acima disso, após um pico de US$ 116, à espera do resultado do impasse.
*Com informações de Folha de São Paulo

