São vários os partidos políticos que estarão se mobilizando com vistas às eleições para as escolhas de Vereadores e Prefeitos pelos 167 municípios potiguares, sendo que no principal colégio eleitoral, que deverá chegar no próximo ano próximo aos 600 mil eleitores o processo começa a ser desenhado com as definições das novas filiações e com os partidos buscar robustecer as nominatas para Vereadores e identificar nomes para Prefeito.
Em 2020, 13 candidatos disputaram as eleições municipais de Natal para o cargo de Prefeito. Estiveram no primeiro turno, em partidos que já não mais estão filiados, os candidatos Afrânio Miranda (Podemos), Álvaro Dias (PSDB), Carlos Alberto (PV), Coronel Azevedo (PSC), Coronel Hélio Oliveira (PRTB), Delegado Sérgio Leocádio (PSL), Fernando Freitas (PC do B), Hermano Morais (PSB), Jaidy Oliver (Democracia Cristã), Kelps Lima (Solidariedade), Nevinha Valentim (PSOL), Rosália Fernandes (PSTU) e Senador Jean (PT). Apesar do grande número de candidatos e partidos envolvidos, a eleição foi definida já no primeiro turno, com o candidato do PSDB, Álvaro Dias, alcançando 194.764 votos, correspondente a 56,58% do eleitorado que compareceu às urnas, registrando-se, na ocasião, uma abstenção recorde de 28,16%. Ou seja, quase 158 mil eleitores natalenses deixaram de votar na eleição municipal de 2020.





RETOMADA
Segundo considerações de um dos maiores profissionais de marketing político no país, João Santana, o clima acirrado de disputa entre as alas ideologicamente de direita e de esquerda criado em 2022, a partir das eleições para Presidente da República, ainda deve permanecer nas próximas eleições de 2024 em todo o país.
De acordo com as candidaturas que começam a se delinear para o próximo pleito, postulantes da esquerda, do centro-esquerda, da direita, do centro e do centro-direita vão registrar suas candidaturas e tentar motivar o eleitorado que mais se identifique com o seu posicionamento.
DIREITA x ESQUERDA
Com peso eleitoral, para disputar a Prefeitura de Natal já tem praticamente definidas as candidaturas da deputada federal Natália Bonavides (PT), Carlos Eduardo Nunes Alves (PSD), Paulinho Freire (União Brasil), General Girão (Partido Liberal) e Bruno Giovani, o BG (ainda sem partido). Todos com potencial eleitoral comprovado, à exceção de BG que, apesar de alcançar popularidade, ainda não disputou nenhuma eleição majoritária ou proporcional.
Natália Bonavides, petista com raízes radicais ligadas ao Movimento dos Sem Terra (MST), vai representar muito bem a esquerda, enquanto que Carlos Eduardo Nunes Alves, que vem ocupando a liderança na preferência do eleitorado natalense em todas as pesquisas de opinião pública já realizadas, estando no PSD pode estar ideologicamente representando o centro, juntamente com Paulinho Freire, do União Brasil. Por outro lado, assumindo vigorosamente a direita, o General Girão vai estar empunhando a bandeira do bolsonarismo durante a campanha municipal de Natal e o mesmo deverá ocorrer com Bruno Giovani, o BG, que tem demonstrado a sua predileção também pela direita.
Não se sabe se Natália Bonavides vai estimular invasões de terras pelo interior do Rio Grande do Norte através do MST. Se isso ocorrer, mesmo que a governadora Fátima Bezerra e o presidente Lula estejam “bem na fita” na época da campanha eleitoral, essas invasões poderão refletir negativamente para a risonha deputada federal. Na última eleição em que disputou e se elegeu deputada federal, Natália obteve 52.198 votos em Natal.
Carlos Eduardo Nunes Alves pode se considerar um fenômeno da política, pois é um político que não demonstra simpatia, não tem grupo político que o fortifique, é avesso na popularidade, mas conta sempre com a preferência do eleitorado, como nos pleitos municipais que disputou e saiu vitorioso. As pesquisas eleitorais comprovam sua preferência pelo eleitorado natalense. Na eleição que disputou e foi derrotado por Rogério Marinho, o ex-prefeito de Natal recebeu 163.778 votos somente dos natalenses.
O candidato derrotado para o Senado na última eleição poderá ser prejudicado com as ações do Tribunal de Contas do Estado – TCE que reprovou suas contas de quando foi Prefeito de Natal entre 2013 a 2016 e como não mantêm um bom relacionamento com os Vereadores de Natal, essas suas contas reprovadas pelo TCE deverão também ter a reprovação da Câmara Municipal, tornando-o inelegível.
Bruno Giovani, o BG, é a grande incógnita. Ideologicamente se posicionará como de direita, sem radicalismos. Se popularizou por conta do seu blog de notícia que tem alcançado números invejáveis de leitores e a sua imagem chegou ao conhecimento dos formadores de opinião através dos programas de rádio transmitidos pela internet, mas até o momento não disputou nenhum cargo público.
O deputado federal Paulinho Freire é considerado um candidato leve, sem mácula, de fácil diálogo e que na última eleição em que disputou e se elegeu para deputado federal obteve 24.311 votos somente dos natalenses. É um candidato de centro e deverá manter esse discurso durante a campanha podendo, inclusive, num provável segundo turno, carrear um número significativo de votos.
O General Girão, de direita, poderá ser o candidato a Prefeito de Natal pelo Partido Liberal. O partido do senador Rogério Marinho e do ex-presidente Jair Bolsonaro deverá seguir fortalecido com a candidatura do deputado federal Girão, que na última eleição conquistou 30.226 votos dos natalenses, dividindo os votos da direita com o também deputado federal Sargento Gonçalves (PL).
O General Girão deverá entrar na campanha eleitoral do próximo ano repaginado. Vem com um discurso mais leve, sem radicalismos e discutindo suas propostas em cada bairro de Natal como forma de mostrar que conhece bem os problemas dos natalenses.
IDEFINIÇÃO
O político de maior capital eleitoral em Natal, no caso o prefeito Álvaro Dias (Republicanos) ainda não se definiu por qualquer dessas candidaturas já postas e que começam a ser trabalhadas, mas como tem pretensões futuras, certamente que não vai querer ficar isolado como atualmente.
Até as eleições de 2024, novas candidaturas deverão surgir e os palpites sobre os que ganham e os que perdem no primeiro ou no segundo turno irão se diluir no tempo.