Em nota oficial divulgada nesta semana, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte (Sindjorn) repudiou veementemente o que classificou como uma “fala discriminatória” proferida pelo radialista Dedé, da Rádio 87.7 FM de Parnamirim. A entidade se manifestou contra os comentários do comunicador que questionavam a identidade de gênero da governadora Fátima Bezerra.
A declaração do radialista, feita durante a programação da emissora, de “não saber qual é o sexo da governadora”, foi considerada pelo Sindjorn como um ataque preconceituoso. Para a entidade, tal afirmação ultrapassa os limites da crítica política.
A nota destaca que o uso de um meio de comunicação para tais fins agrava a situação, dado o compromisso ético que a radiocomunicação deve ter com a sociedade.
“Tal manifestação é ainda mais grave por ter sido proferida em um meio de comunicação, que carrega responsabilidade social e compromisso ético com o respeito e a informação”, afirma o texto do sindicato.
O sindicato destacou a distinção entre a crítica legítima à gestão e as ofensas pessoais, enfatizando que a liberdade de expressão não deve ser usada como pretexto para a disseminação de preconceitos ou para desqualificar autoridades públicas por meio de estigmas.
Além do repúdio ao profissional, o Sindjorn manifestou solidariedade à governadora Fátima Bezerra. A entidade enfatizou que discursos que promovem a humilhação ou a discriminação ferem a democracia e os direitos humanos, princípios que devem ser defendidos pela categoria dos jornalistas.
O episódio levanta novamente o debate sobre o papel dos órgãos reguladores e dos conselhos de ética na comunicação regional. Casos de discriminação em veículos de massa podem ser alvo de investigações não apenas na esfera administrativa, mas também judicial, caso fiquem configurados crimes contra a honra ou violações de direitos fundamentais.

