O setor agropecuário do Rio Grande do Norte vive uma boa fase, em ritmo acelerado no ano de 2023, com expectativa de ainda mais crescimento para o segundo semestre, mesmo apresentando características climáticas adversas que impactam as produções no setor.
Com a maior parte do território localizado em clima semiárido, o RN sofre fortemente o impacto negativo nas culturas feitas sem irrigação – chamado comumente de cultivo sequeiro – e também na pecuária, tanto leiteira quanto de corte. Mas, conforme explica o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (SAPE), Guilherme Saldanha, esse mesmo clima semiárido é favorável para outras atividades: “Em atividades como a fruticultura irrigada, bem como a criação de camarão (carcinicultura), o cultivo de peixes, essas altas temperaturas e o clima seco facilitam a produção em larga escala. E são essas modalidades que estão crescendo cada vez mais no nosso estado”.
Ainda segundo o secretário, os produtos secundários estão ganhando notoriedade e reconhecimento nacional e internacional por sua qualidade: “Uma atividade que tem crescido, principalmente a partir dos incentivos e apoio do governo do estado, é a produção de queijos artesanais. É uma atividade que hoje tem um destaque nacional, o Rio Grande do Norte tem uma legislação que trata de regulamentar e regularizar essas queijeiras. Pela nossa produção de leite ser pequena, fazer algo diferente, mais nobre, de valor agregado, com certeza você vai incentivar e aumentar essa produção de leite aqui e o estado tem dado esse foco, esse foco muito especial nessa questão das queijeiras”.
Considerando as exportações, o agronegócio potiguar tem ganhado cada vez mais volume e notoriedade no cenário econômico, passando por um período de crescimento principalmente no segundo semestre do ano, devido as condições climáticas favoráveis.
O secretário explica que no balanço entre janeiro e junho de 2023, o Rio Grande do Norte seguiu uma régua de crescimento: “No que se refere ao semestre anterior, houve um acréscimo de 23,9% de exportações do setor agropecuário. Saímos de um montante de 63 milhões de dólares no ano passado e passamos para 78,3 milhões. Vale salientar que, nesse primeiro período, não temos um grande volume de exportação, pois nosso maior produto é a exportação de frutas”.
O titular da SAPE acrescenta que as expectativas são muito boas para os próximos meses: “Segundo semestre é o que se exporta mais, por causa da entressafra da fruta no hemisfério norte. Estamos indo muito bem no melão, manga, em peixe, em lagosta, melancia, em mamão e também banana, são esses os nossos principais produtos, além da produção de camarão”.
A produção em larga escala e crescimento nos índices de exportações, tem projetado o Rio Grande do Norte como grande exportador, como enfatiza Guilherme: “Nós somos os maiores exportadores de frutas do Brasil e no caso do camarão, somos o segundo maior produtor de camarão em cativeiro do Brasil, só perdemos para o Ceará”, contudo destaca também a venda de outros itens: “Mas o Rio Grande do Norte também vai muito bem na questão dos peixes, nós somos os maiores exportadores de atum fresco do Brasil, também voltamos muito forte, especialmente no ano passado, a questão da exportação da lagosta e da fruticultura, do camarão e da pesca, o Rio Grande do Norte foi destacado nacionalmente como grande produtor e ou exportador”.
Compreendendo a disponibilidade agropecuária do nosso estado e estimulando o agronegócio o Sebrae RN, através da Unidade de Desenvolvimento Rural e agencias regionais, atua nas diversas cadeias do Agronegócio como: bovinocultura, carcinicultura, ovicaprinocultura, meliponicultura, apicultura, fruticultura, horticultura, algodão, ostreicultura, piscicultura, suinocultura, avicultura, equinos e agroindústrias, além do projeto Agronordeste com atuação focada na gestão das propriedades rurais do semiárido enquanto unidades de negócios produtivas, viáveis e sustentáveis.
Mona Nóbrega, gerente da Unidade de Desenvolvimento Rural do Sebrae, explica como funcionam os projetos ofertados pelo órgão: “Ofertamos um atendimento continuado dentro da perspectiva de cadeia de valor aos empreendedores rurais nos diversos setores do agronegócio, levando consultorias técnicas em produção, manejo, inovação, tecnologia, mercado, regulamentação e gestão do empreendimento rural. Além de capacitações, cursos, oficinas e palestras para desenvolvimento de competências individuais e coletivas, sejam grupos formalizados como cooperativas, associações sejam empresários de médio e pequeno porte. Da agricultura familiar ao empresário rural, ampliando a atuação e o acesso ao mercado, fortalecendo produtos do território potiguar e suas singularidades”.
A gestora explica ainda acerca dos investimentos realizados na parte de projetos e iniciativas para o fomento do segmento: “Anualmente são investidos mais de 20 milhões em projetos e iniciativas no agronegócio potiguar, projetos realizados com diversos parceiros e entidades que atuam no segmento. No primeiro semestre desse ano mais de 10 mil produtores rurais foram atendidos nos projetos e agenciais regionais. O setorial do agronegócio nesses 50 anos de atuação sempre esteve entre as prioridades do Sebrae RN, assim como as cadeias produtivas do comercio, serviços e indústria”.
Dentre os inúmeros projetos desenvolvidos pelo Sebrae, destacam-se três: Leite e Genética que atua na cadeia da bovinocultura; Aquicultura Potiguar foco na atuação da Carcinicultura; Programa Agronordeste que atua em diversas cadeias e foca na gestão da propriedade rural no semiárido do RN.

