As divergências entre os servidores municipais de Mossoró e o prefeito Allyson Bezerra (SDD), que quer aprovar o Projeto de Lei Complementar 17/2023, o chamado por eles de “PL da Maldade”, poderá virar greve geral. Na próxima segunda-feira (19), os trabalhadores se reunirão em assembleia geral para discutir o indicativo de paralisação, no Teatro Estadual Lauro Monte Filho.
Segundo a presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde de Mossoró (SINDSSAM), Ellen Paiva, Allyson tem deixado claro que não pretende conversar com os representantes dos servidores municipais, mas aprovar, a todo custo, o PLC 17/2023, que retira direitos da categoria. “Infelizmente, o gestor municipal até o presente momento não dialogou com os representantes sindicais. Na segunda, vamos fazer uma assembleia conjunta em que discutiremos o indicativo de greve”.
Ellen falou que os servidores estão revoltados com a falta de diálogo e a intransigência do prefeito e que a paralisação das atividades só não será decidida e deflagrada caso ele aceite conversar com a categoria e recue nos pontos do projeto que prejudicam os trabalhadores municipais. Nesta quarta-feira (14), o gestor aceitou receber os dirigentes dos sindicatos representantes das quatro categorias – Sindissam (Saúde), Sindicato dos Servidores Públicos de Mossoró (Sindiserpum), Sindicato dos Agentes de Trânsito de Mossoró (Sindatran) e Sindicato dos Guardas Municipais do RN (Sindiguardas), mas condiciou receber um por vez, o que não foi aceito.
“Quando chegamos no gabinete do prefeito, estava tudo trancado, inclusive com chave de fenda. Então, combinamos montar uma comissão com os representantes sindicais para serem recebidos por Allyson. Cada sindicato indicou seus nomes, mas o prefeito não aceitou alguns. Mas não concordamos porque o sindicato tem autonomia para indicar quem tem mais condições de discutir o PL. Depois, nos foi informado que estavam sendo redigidos os ofícios para oficializar tudo e esperamos a manhã toda”, disse.
Ela falou ainda que, depois disso, o Sindiserpum e o Sindissam receberam e-mail marcando reuniões em separado. O Sindiguardas e o Sindatran não receberam nada. Então, como estamos discutindo o PL 17, que não trata de categorias profissionais, mas de servidor público, estamos representando as categorias, mas nessa discussão específica, estamos falando em direitos dos servidores e os pontos que defendemos são em comum. O que um defende, os outros três também defendem, então, a negociação tem que ser com os quatro juntos”, explicou Ellen.
Ela falou que os representantes estavam aguardando a reunião do lado de fora do gabinete, onde Allyson gravou vídeo dizendo que, “já era 15h20 estava aguardando o sindicato”. Diante disso, ficou decidido que seria feito uma assembleia geral para discutir a situação e o indicativo de greve, na próxima segunda. “Ele só queria receber individualmente, mas não aceitamos porque os quatro sindicatos defendem os mesmos pontos”, explicou.
Por sua vez, Allyson Bezerra afirmou, em suas redes sociais, que “infelizmente, alguns tentam a todo custo prejudicar a nossa gestão e esses avanços, mas nada vai me impedir de fazer a maior gestão para o servidor público municipal de Mossoró”. E que o PL 17 não retira nenhum direito dos servidores. “Uma luta importante da nossa gestão para garantir mais segurança jurídica e direitos para os servidores públicos”, afirmou.
HISTÓRICO
A luta contra o PL 17 foi iniciada na sexta-feira, 9, quando a bancada governista tentou votar o projeto na Câmara Municipal. Os servidores ocuparam o plenário da Casa e evitaram a votação. Na terça-feira (13), nova tentativa do governo e, mais uma vez, os servidores ocuparam a Câmara a impediram a votação.

