O ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), foi transferido neste sábado (28) para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte do Rio, após o cumprimento de formalidades legais na Superintendência da Polícia Federal.
Bacellar foi novamente preso pela PF (Polícia Federal) na sexta-feira (27), durante a terceira fase da Operação Unha e Carne. A decisão para a prisão do ex-presidente da Alerj foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Ao justificar a medida, Moraes destacou que Bacellar já não exerce mandato parlamentar — após ter o diploma cassado pela Justiça Eleitoral —, deixando de contar com as prerrogativas e proteções institucionais do cargo. Bacellar havia sido preso anteriormente, mas foi liberado por decisão da Alerj.
Na decisão, Moraes aponta ainda risco concreto de obstrução de Justiça caso ele permanecesse em liberdade. Segundo o ministro, há indícios de que Bacellar teria atuado para interferir em investigações. Ele também menciona o possível acesso a informações sensíveis e a capacidade de influência política suficiente para comprometer a coleta de provas e o andamento das apurações.
Moraes também sustenta que as medidas cautelares impostas anteriormente — como tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar — não são mais suficientes diante da gravidade dos fatos.
Em nota, a defesa afirmou que desconhece os motivos da nova prisão decretada e a classificou como indevida e desnecessária. Segundo os advogados, Barcellar “vinha cumprindo integralmente todas as medidas cautelares impostas”.
Nesta semana, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinou a cassação do mandato de Bacellar, no mesmo processo que levou à inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro (PL).
Denunciado pela PGR
No último dia 16, a PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou Bacellar e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, pelo crime de obstrução de investigação relacionada à facção criminosa CV (Comando Vermelho).
Também foram denunciados o desembargador Macário Ramos Júdice Neto; a esposa de TH Joias, Jéssica de Oliveira Lima; e seu assessor parlamentar Thárcio Nascimento Salgado.
Segundo a PGR, os denúnciados atuaram juntos para prejudicar a Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 com o objetivo de desarticular uma organização criminosa dedicada à prática de tráfico internacional de armas de fogo e entorpecentes, corrupção, lavagem de capitais e outros delitos de elevada gravidade, liderada por integrantes do Comando Vermelho.
*Com informações de CNN

