A corrida pela sucessão municipal de Natal em 2024 promete ser uma das mais acirradas dos últimos tempos. O vereador da Capital, professor Robério Paulino anunciou que seu nome está à disposição do Psol para o pleito, que já conta com pré-candidatos como Natália Bonavides (PT), Carlos Eduardo Alves (PDT), Paulinho Freire (União Brasil), Styvenson Valentim (Podemos) e Bruno Giovanni (sem partido), até o momento. Para ele, nenhum destes até agora apresentou propostas e projetos concretos para melhorar a cidade e que é isso o que a sociedade quer saber.
“Por minha longa experiência política de mais de 40 anos de luta, forte formação acadêmica, estudo e conhecimento profundo das questões urbanas de muitas cidades do mundo, considero que eu seria, de longe, o candidato mais preparado para governar uma cidade difícil como Natal, que não é para amadores, nem para prepotentes e arrogantes. Até agora, só vi nomes, não propostas, projetos concretos e compromissos sérios do que pretendem fazer para Natal”, falou.
Robério defende que uma campanha não pode ser feita só em base de agressões ou sorrisos e que, por isso, prefere não avaliar os demais pré-candidatos, “até que estes digam quais são suas propostas reais, seus projetos e compromissos para mudar radicalmente esse quadro vergonhoso da cidade”. E falou ainda que, como pré-candidato, prefere se focar em apresentar suas propostas iniciais para os natalenses, “pois é isso o que as pessoas querem saber”.
“A primeira coisa que eu faria seria mudar completamente o transporte público. A pergunta que faço é: os candidatos que se apresentam terão coragem de enfrentar as empresas que se acham donas da cidade ou preferirão ficar de bem com elas? Eu propus na Câmara Municipal, e foi aprovado como indicação a criação de uma Empresa Pública Municipal de Transportes, que exija das atuais empresas a renovação imediata de toda a frota, com ônibus novos, motor traseiro, ar-condicionado e piso baixo”, explicou.
Para ele, esse é um dos principais pontos de reclamação de quem usa o sistema de transporte público e, justamente por isso, é preciso investir fortemente na área para que as pessoas se sintam respeitadas e até incentivadas, no caso de que possui carro próprio, a usarem este. “É isso que estão fazendo os países mais desenvolvidos. A população de Natal precisa e merece, e mesmo a classe média poderia deixar o carro em casa, economizar dinheiro com combustível e não se estressar com o trânsito diário”.
Professor por formação, ele defende a erradicação do analfabetismo em Natal em, no máximo, dois anos, envolvendo sindicatos e universidades, por exemplo, e que isso não seria caro. Implantar educação em tempo integral nas escolas, como outras capitais já possuem, melhorar a estrutura e espaços nas escolas e melhorar os salários de professores são pontos essenciais para transformar Natal em uma cidade verdadeiramente comprometida com a Educação.
“No aspecto da vida urbana, existem coisas simples e relativamente baratas que poderíamos fazer. Eu já aprovei na Câmara Municipal o plantio de 50 mil árvores na cidade, o que mudaria completamente a cena urbana e o visual da cidade, reduzindo a temperatura e tornando o clima urbano muito mais ameno e agradável. Recuperar e arborizar praças e canteiros, com instalação de equipamentos esportivos, instalar pontos de coleta de entulhos, acelerar separação e reciclagem do lixo”.
“Natal é linda e boa de se viver, mas possui problemas graves”, lamenta Robério
Robério Paulino falou que a situação do município de Natal, sob a gestão do prefeito Álvaro Dias (Republicanos) e dos anteriores, é caótica e carente de atenção e cuidado, especialmente na mobilidade urbana, saúde, educação e infraestrutura, sobretudo nas zonas Norte e Oeste, onde residem pessoas mais pobres e que necessitam de maior atenção do poder público.
“Natal é uma cidade linda e boa de se viver, por suas imensas belezas naturais e seu povo gentil e acolhedor. Mas, há problemas graves que necessitam ser corrigidos urgentemente, como o transporte público, que é um caos completo, com uma frota de ônibus toda velha, sem ar-condicionado, com motor dianteiro barulhentos e piso alto, que prejudica o acesso de idosos e pessoas com mobilidade reduzida”, falou.
Para ele, o transporte público é relegado porque somente quem a usa é a população mais pobre, que não tem dinheiro para comprar um carro e que “sofre imensamente dentro dessas latas velhas. A classe média se refugia nos carros, novos ou usados, gastando boa parte de sua renda e seu tempo nos engarrafamentos. O poder público aqui sempre foi cúmplice das empresas que controlam o transporte”.
A saúde é outro ponto que carece de atenção do poder público. “O prefeito penalizou os trabalhadores da saúde e sequer o piso nacional paga. Judicializou para não pagar, uma imoralidade e um desrespeito com uma categoria que suportou toda a carga do enfretamento da pandemia e que merecia ser muito mais valorizada, mais respeitada. Muitas unidades de saúde estão aos pedaços. Às vezes não têm insumos e remédios básicos para tratamentos simples”.
A cobertura vegetal precária e limpeza do município também foram abordados. “A cidade é linda, mas é um caos, muito mal arborizada, mal sinalizada, suja. Mesmo na Zona Sul, a maioria dos cruzamentos não tem placas de identificação das ruas, o motorista e os pedestres ficam perdidos. Por falta de pontos de coleta, os carroceiros jogam lixo em qualquer lugar, como se estivéssemos na Idade Média. A lista de problemas da cidade é imensa, infelizmente e a gestão municipal precisa trabalhar esses pontos, até agora, relegados”, alertou.
EDUCAÇÃO PRECÁRIA
Presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal, Robério revelou ter visitado escolas e visto que muitas delas estão com sua estrutura física altamente comprometidas, colocando em risco a integridade física dos estudantes e profissionais da área. Para ele, a questão da falta de vagas nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) prejudicam as mães trabalhadoras que necessitam do serviço e citou a taxa de analfabetismo no município.
“Tem escolas caindo aos pedaços. Muitas salas de aula ainda não têm ar-condicionado e os ventiladores são velhos e barulhentos. Ninguém aprende assim. Milhares de crianças estão sem vagas nos CMEIS e estamos muito atrasados em relação a outras capitais quanto à adoção da educação em tempo integral nas escolas. A taxa de analfabetismo é muito alta, chegando quase a 10%, com quase 20% em alguns bairros, uma coisa que me envergonha profundamente como professor”, lamentou.

